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UC UC02919 · T. Mecatrónica

Ficha 02 · Fresadora, tolerâncias, sequências

Fresadora, fresagem, tolerâncias atingíveis, plano de operações
Versão · Aluno
Tempo · 60 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Data
Objectivos da ficha

Parte I · Fresadora

Exercício 1 · Vertical vs horizontal (10 pts)

Para cada peça, indica se prefere fresadora vertical, horizontal ou universal:

a) Tampa rectangular 100×80×15 mm com 4 furos M6. b) Rasgos profundos em chapa de 30 mm, vários paralelos. c) Engrenagem cilíndrica com 24 dentes. d) Cavidade interior em forma de coração para molde.

a) Vertical — faces, furos e cavidades pequenas; padrão. b) Horizontal — rasgos longos com fresa de disco; alta produtividade. c) Universal com cabeçote divisor — divide 360°/24 = 15° entre dentes; fresa modular. d) Vertical — formas livres só viáveis com cabeçote vertical; idealmente CNC para curvas complexas.

Exercício 2 · Operações (10 pts)

Liga cada operação à descrição certa:

Operação Descrição
Aplainamento a) Furo perpendicular à face
Ranhura b) Face superior plana
Furação c) Rasgo recto na peça
Mandrilamento d) Furo grande preciso, alargado a partir de furo prévio
Cavidade e) Bolsa interior aberta para baixo

Exercício 3 · Concordante vs discordante (10 pts)

a) Distingue fresagem concordante de discordante.

b) Qual usar em fresadora convencional sem folga corrigida e porquê?

a) - Concordante (climb milling): sentido de rotação da fresa igual ao avanço da peça. A apara começa grossa e termina fina. Bom acabamento, menos calor, ferramenta dura mais. Mas a força puxa a peça contra a fresa — exige máquina rígida e sem folga. - Discordante (conventional): sentidos opostos. Apara começa fina e cresce. A força empurra contra os apoios. Tolera folgas nos parafusos, mas gera mais calor e desgaste.

b) Discordante — fresadoras convencionais antigas têm folga no parafuso sem-fim do avanço. Concordante puxa a mesa e dá ressaltos perigosos. Discordante mantém a folga sempre num lado, sem oscilação.

CNC moderno usa concordante quase sempre (folga corrigida por sistema esfero/precarga).

Parte II · Tolerâncias

Exercício 4 · O que é viável (15 pts)

Indica se cada tolerância é viável em torno/fresadora convencional, ou precisa de rectificadora:

a) Ø 25 ±0,1 (torno). b) Ø 25 H7 (torno). c) Ø 25 H6 (torno fino). d) Ø 25 H5 (torno). e) Planicidade 0,01 mm em superfície 100 mm (fresadora). f) Planicidade 0,02 mm em superfície 100 mm (fresadora acabamento).

a) Viável facilmente — ±0,1 mm = IT11, qualquer operação grosseira do torno.

b) Viável — H7 ≈ ±0,021 mm em Ø 25. Acabamento fino com carboneto, refrigeração, máquina em bom estado.

c) No limite — H6 ≈ ±0,013 mm. Possível em torno em muito bom estado com ferramenta especial; melhor em rectificadora. Em produção, considera-se "viável só em rectificação".

d) Não viável — H5 ≈ ±0,008 mm. Obriga rectificação + acabamento extra.

e) Não viável em fresagem convencional. Rectificação plana ou superplaning.

f) Limite superior da fresagem fina. Viável com fresa de facear de várias pastilhas em máquina rígida.

Exercício 5 · Rugosidade (10 pts)

Para cada operação, indica o Ra (µm) atingível:

a) Torno desbaste com carboneto. b) Torno acabamento com ferramenta de raio + avanço lento. c) Fresagem em desbaste. d) Rectificação.

a) Ra 3,2-6,3 µm — superfície visível "rugosa" mas tolerável para apoios não funcionais. b) Ra 0,8-1,6 µm — superfície "lisa" para apoios de rolamento ou ajustamentos. c) Ra 6,3-12,5 µm — superfície grosseira, função estrutural só. d) Ra 0,1-0,4 µm — superfície "espelhada", apoios de precisão, vedação.

Para Ra < 0,1 µm precisa de lapidagem ou polimento.

Parte III · Plano de operações

Exercício 6 · Plano (20 pts)

Tens de produzir, a partir de varão Ø 30 × 110 mm em aço C45, este veio escalonado:

Descreve o plano de operações completo (mínimo 8 passos numerados).

  1. Apertar o varão Ø 30 × 110 mm no mandril universal de 3 castanhas, com 70 mm fora (lado A para fora). Verificar excentricidade com comparador (< 0,05 mm).

  2. Facear a face do lado A → referência Z=0. Profundidade de corte 0,5-1 mm até obter superfície limpa.

  3. Cilindragem desbaste Ø 25 × 60 mm:

  4. 2 passes de ap = 1,5 mm (de Ø 30 → Ø 26).
  5. f = 0,2 mm/rot, Vc = 150 m/min → N ≈ 1900 rpm em carboneto.
  6. Refrigeração ligada.

  7. Cilindragem acabamento Ø 25:

  8. 1 passe ap = 0,5 mm com f = 0,1 mm/rot e Vc = 200 m/min.
  9. Medir → verificar 25,0 ±0,1.

  10. Chanfre 1×45° na transição entre face e Ø 25 (com ferramenta inclinada ou compositor).

  11. Furação central Ø 8 × 15 mm:

  12. Broca de centrar primeiro.
  13. Broca Ø 8 mm no contraponto, avanço manual lento, com taladrina.

  14. Sangrar ou inverter peça: apertar pelo Ø 25 já maquinado, no mandril com mordentes macios para não marcar. Lado B agora fora.

  15. Facear lado B → controlar comprimento total 100 ±0,1 mm com paquímetro.

  16. Cilindragem desbaste Ø 20 × 40 mm (de Ø 30 → Ø 21):

  17. 2 passes ap = 2,25 mm.
  18. Continuar até Ø 21 mm.

  19. Cilindragem acabamento Ø 20 h6 (porque entra em furo H7):

    • h6 em Ø 20 = 0 / −0,013 mm → janela 19,987 a 20,000.
    • Passes finos (ap = 0,1-0,2 mm), micrómetro entre cada um.
    • Acabamento final ap = 0,05 mm com f = 0,05 mm/rot.
  20. Chanfre 1×45° na transição Ø 20/Ø 25 e na face livre Ø 20.

  21. Medição final com micrómetro + comparador + visual.

Tempo total: ~45-60 min para um operador experiente.

Parte IV · Refrigeração

Exercício 7 · Quando refrigerar (10 pts)

Para cada operação, indica se usas taladrina, óleo puro, álcool ou seco:

a) Tornear aço C45 com pastilha de carboneto. b) Fresar alumínio 6061 com fresa HSS. c) Tornear ferro fundido cinzento. d) Maquinar latão. e) Roscar internamente com macho M8 em aço inox.

a) Taladrina (óleo solúvel) — padrão. Refrigera + lubrifica + evacua apara.

b) Álcool (etanol) ou seco com pausas — alumínio funde se quente; taladrina aquosa entope a fresa rapidamente.

c) Seco — ferro fundido tem grafite na estrutura que lubrifica internamente. Refrigeração faz mais mal que bem (apara fica pasta com pó de grafite).

d) Seco — latão corta limpo a seco. Refrigeração não dá ganho.

e) Óleo puro de corte (não taladrina) — roscar é operação extrema; macho parte fácil. Óleo viscoso protege os filetes e o macho.

Parte V · Cenário

Exercício 8 · Decisão (10 pts)

Vais maquinar uma peça única em aço temperado HRC 50 que precisa de Ø 30 H7. O torno na oficina tem ferramentas de HSS e carboneto disponíveis. Que estratégia segues?

Diagnóstico: - Aço HRC 50 está fora do alcance prático de HSS (que parte ou desgasta em minutos). - Carboneto suporta até HRC ~50, mas com Vc baixíssimo (40-80 m/min) e desgaste rápido. - H7 em Ø 30 = 0/+0,021 → tolerância apertada, requer acabamento muito fino.

Estratégia: 1. Pré-tornear com carboneto a baixa Vc (50 m/min), avanço baixo (0,1 mm/rot), refrigeração abundante. Deixar 0,2-0,3 mm de sobreespessura para rectificar. 2. Rectificar depois numa rectificadora cilíndrica para atingir Ø 30 H7 com bom acabamento (Ra < 0,8 µm). 3. Alternativa: comprar pastilha CBN específica para aço temperado e fazer tudo no torno; viável mas pastilha custa 50-100 € e operação exige máquina muito rígida.

Decisão prática para peça única: opção 1 (pré-tornear + rectificar) é a mais segura e económica. Para série, vale o investimento em CBN.