Partilhar: WhatsApp
aulify
UC UC02862 · T. Mecatrónica

Ficha 02 · Y-Δ, temporização, sensores

Arranque Y-Δ, timers, sensores, GRAFCET
Versão · Aluno
Tempo · 60 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Data
Objectivos da ficha

Parte I · Estrela-triângulo

Exercício 1 · Princípio (10 pts)

Por que arranque estrela-triângulo reduz a corrente de arranque?

Princípio físico:

Um motor trifásico de 400V/Δ tem 3 bobinas projectadas para receber 400V cada quando ligado em triângulo.

Consequência: - Corrente por bobina reduz na proporção V (1/√3). - Mas a corrente de linha em Y é igual à corrente nas bobinas (não há divisão). - Em triângulo a corrente de linha = √3 × corrente nas bobinas.

Resultado: corrente de arranque em Y é aproximadamente 1/3 da corrente de arranque em Δ.

Trade-off: binário motor também reduz para 1/3 → motor só arranca cargas leves em Y. Para cargas pesadas, soft-start ou VFD são melhores.

Exercício 2 · Esquema 3 contactores (15 pts)

Lista os 3 contactores necessários no arranque Y-Δ e a sequência de eventos.

3 contactores: - KM1 — principal (sempre fecha contactos principais durante operação). - KM_Y — contactos que ligam os terminais X-Y-Z do motor em ponto comum (criando configuração estrela). - KM_D — contactos que ligam X-Y-Z dos 3 pares (criando configuração triângulo).

Temporizador KT — controla momento da transição Y → D (típico 3-10 segundos).

Sequência:

  1. Premir start: KM1 + KM_Y activam simultaneamente.
  2. Motor recebe alimentação trifásica em configuração estrela.
  3. Corrente de arranque baixa (~2-3× nominal).
  4. Binário arranque reduzido para 1/3 do nominal.

  5. Acelerar: motor sobe a velocidade durante T segundos. KT conta.

  6. T expira: KT acciona transição:

  7. KM_Y desactiva (abre contactos estrela).
  8. Pequeno intervalo de transição (50-200 ms) — motor em "roda livre" momentâneo.
  9. KM_D activa (fecha contactos triângulo).

  10. Operação normal: motor em triângulo com tensão nominal por bobina, potência nominal.

  11. Parar: KM1 desactiva, KM_D desactiva.

Inter-bloqueios: KM_Y.NC em série com KM_D.A1 e vice-versa — impossível ambos fecharem simultaneamente (curto-circuito entre fases).

Exercício 3 · Quando usar (5 pts)

Em que situação NÃO se usa arranque estrela-triângulo?

  1. Motores < 7,5 kW — pico não é problema, arranque directo suficiente.
  2. Cargas pesadas no arranque — binário reduzido em Y (33%) não consegue arrancar a carga; máquina não funciona.
  3. Quando se precisa de controlo fino de velocidade — Y-Δ só tem 2 estados; VFD (variador de frequência) é a resposta para controlo total.
  4. Cargas com paragens/arranques frequentes — soft-start electrónico é mais suave e desgasta menos.
  5. Motores cuja chapa não permite Y-Δ (alguns motores só vêm preparados para uma ligação fixa).

Hoje em dia: Y-Δ está em declínio porque VFD custa pouco e dá controlo total.

Parte II · Temporização

Exercício 4 · Tipo de relé (10 pts)

Para cada aplicação, escolhe tipo de relé temporizado (on-delay, off-delay, pulse, cyclic):

a) Estrela-triângulo: KT comuta de Y para D após 5 segundos do arranque. b) Iluminação do corredor que apaga 3 minutos após movimento. c) Ventilador de motor que continua 10 minutos após desligar o motor. d) Sirene de aviso pisca a 1 Hz durante alarme.

a) On-delay — conta 5s após energização (= arranque do motor), depois comuta o estado.

b) Off-delay — energiza imediatamente quando há movimento (luz acende), mantém 3 min após cessar movimento, depois desliga.

c) Off-delay — energiza com o motor; mantém ventilador X tempo após desligar o motor.

d) Cyclic — alterna on/off ciclicamente enquanto alarme activo (1s on, 1s off para 1Hz).

Exercício 5 · Sequencia (10 pts)

Tens uma máquina que faz 3 operações em sequência (carregar, processar, descarregar), cada uma com 30 segundos. Como implementas com 3 temporizadores?

Start ── KM1 (carregar) + KT1 ──── 30s ────┐
                                              
                                    KT1.NO fecha
                                              
                          KM1 desactiva       
                          KM2 (processar) + KT2 ── 30s ──┐
                                                            
                                                KT2.NO fecha
                                                            
                                            KM2 desactiva   
                                            KM3 (descarregar) + KT3 ── 30s ──┐
                                                                                
                                                                    KT3.NO fecha
                                                                                
                                                              KM3 desactiva
                                                              Fim da sequência

Cada KT (on-delay) inicia ao activar o seu contactor; ao expirar 30s, comuta para o seguinte.

Inter-bloqueios garantem que só um contactor está activo de cada vez.

Reset: contacto auxiliar do último desactiva-se → tudo volta a estado inicial → próximo start começa do passo 1.

Em PLC: trivial com 1 timer programado. Em electromecânico puro com 3 temporizadores é viável mas cablagem extensa.

Parte III · Sensores

Exercício 6 · Sensor certo (10 pts)

Para cada situação, escolhe tipo de sensor:

a) Detectar passagem de peça metálica numa linha (10 cm acima). b) Detectar líquido (água) numa cuba. c) Detectar se porta de protecção está fechada. d) Medir distância de 1-5 m sem contacto. e) Detectar peça em qualquer material (plástico, vidro, metal) a 1 cm.

a) Indutivo (1-30 mm para metais; tipicamente o "olho" da automação industrial). Para 10 cm precisa de variante de longo alcance.

b) Capacitivo — detecta líquidos sem contacto.

c) Fim-de-curso (limit switch) mecânico — contacto físico fiável; ou magnético com íman.

d) Ultrassom (1 cm-10 m precisão alguns mm) ou fotoeléctrico difuso com refletor.

e) Capacitivo — detecta qualquer material. Indutivo só detecta metais.

Exercício 7 · PNP vs NPN (10 pts)

Tens sensor com saída digital. Distingue PNP e NPN.

PNP (sourcing): - Quando sensor activo, "fornece" +24V à saída. - Comum em PLCs europeus. - Carga (PLC input) deve ter um terminal a 0V; quando sensor activa, +24V chega → input lê high.

Sensor──┬── saída ── PLC input ── (interno PLC) ── 0V
        │
       +24V (alimentação)
       0V

NPN (sinking): - Quando sensor activo, "puxa" a saída para 0V. - Comum em PLCs asiáticos (Mitsubishi, Omron). - Carga deve ter um terminal a +24V; quando sensor activa, puxa para 0V → input lê alteração.

Sensor──┬── saída ── PLC input ── (interno) ── +24V
        │
       +24V
       0V

Compatibilidade: PLC tem que ser configurado para o tipo certo (PNP ou NPN) — alguns modernos suportam ambos seleccionáveis.

Em manutenção: verificar datasheet do PLC antes de comprar sensor.

Parte IV · GRAFCET

Exercício 8 · GRAFCET simples (15 pts)

Desenha (descreve em ASCII) o GRAFCET de uma máquina de furação automática: - Estado 1: espera peça. - Estado 2: prensar peça (cilindro pneumático). - Estado 3: furar (motor descer). - Estado 4: voltar furo (motor subir). - Estado 5: libertar peça. - Volta ao 1.

       ┌────┐
        1    Espera
             (acção: nenhuma; LED verde "READY")
       └─┬──┘
           T1: peça detectada (B_peca = 1)
         
       ┌─v──┐
        2    Prensar
             (acção: KY_prensa = 1)
       └─┬──┘
           T2: B_prensa_baixo = 1
         
       ┌─v──┐
        3    Furar
             (acção: KM_furo + KY_descer = 1)
       └─┬──┘
           T3: B_furo_fim = 1
         
       ┌─v──┐
        4    Voltar furo
             (acção: KY_subir = 1; KM_furo desactiva)
       └─┬──┘
           T4: B_furo_topo = 1
         
       ┌─v──┐
        5    Libertar
             (acção: KY_prensa = 0; KY_libertar = 1 alguns segundos)
       └─┬──┘
           T5: B_peca = 0 (peça removida)
         
         └────────────► volta ao 1

Componentes mecânicos/sensores: - B_peca: sensor que detecta presença de peça. - KY_prensa: electroválvula do cilindro pneumático. - B_prensa_baixo: fim-de-curso quando prensa em baixo. - KM_furo: contactor do motor de furação. - KY_descer / KY_subir: electroválvulas do cilindro de furação. - B_furo_fim / B_furo_topo: fins-de-curso vertical. - KY_libertar: electroválvula libertadora (sopro de ar).

Implementação: tipicamente em PLC com 5 estados em ladder ou função sequencial (SFC). Em electromecânico puro, precisaria de ~10-15 relés + temporizadores.

Exercício 9 · Vantagens GRAFCET (5 pts)

Por que GRAFCET é melhor que esquema multifilar para descrever automação sequencial?

  1. Visualização de sequência — vê-se ordem clara das operações; multifilar mostra ligações mas não o "fluxo".

  2. Comunicação com não-electricistas (engenheiros, gestores) — GRAFCET é entendível mesmo sem conhecer símbolos eléctricos.

  3. Especificação independente da implementação — mesmo GRAFCET pode ser implementado em relés, PLC, microcontrolador, etc.

  4. Debug — durante operação, sabe-se em que estado está; localizar problemas é mais rápido.

  5. Documentação — actualizar GRAFCET é mais simples que refazer multifilar quando há mudanças.

  6. Norma IEC 60848 — universal e reconhecida.

  7. Programação directa em PLCs (linguagem SFC — Sequential Function Chart é GRAFCET adaptado).

GRAFCET complementa (não substitui) o multifilar — usam-se em conjunto: GRAFCET para a lógica, multifilar para a cablagem física.