Ficha 02 · Cortes, cotagem, tolerâncias e elementos normalizados
Exercício 1 · Porquê cortar
Explica porque se usa um corte em vez de mostrar o interior com traço interrompido. O que leva hachura?
Resposta:
Quando uma peça tem muitos elementos interiores (furos, cavidades), representá-los todos com traço interrompido torna o desenho confuso e ilegível. O corte "serra" imaginariamente a peça por um plano e mostra o interior com traço grosso visível, tornando a leitura clara.
Leva hachura (tracejado fino a 45°) apenas o material efetivamente cortado pelo plano; os vazios (furos) e o que está atrás do plano não levam hachura.
Exercício 2 · O que não se corta
Um plano de corte longitudinal atravessa um veio maciço, um parafuso e uma nervura. Como se representam?
Resposta:
Desenham-se inteiros, sem hachura — não se cortam ao comprido veios maciços, parafusos, porcas, cavilhas, esferas e nervuras. Cortá-los não acrescenta informação útil e só confundiria a leitura.
Exercício 3 · Elementos da cotagem
Identifica os três elementos de uma cota e uma regra para as linhas de chamada.
Resposta:
Os três elementos: linha de cota (com setas), linhas de chamada e o valor (em mm, sem escrever "mm").
Regra das linhas de chamada: saem do contorno com uma pequena folga (não tocam a peça), são finas e não devem cruzar-se com as linhas de cota. As cotas menores ficam mais perto da peça; as maiores por fora.
Exercício 4 · Cotar sem erros
Uma peça tem três furos alinhados. Explica a diferença entre cotar em cadeia e a partir de uma referência e qual é preferível.
Resposta:
- Em cadeia: cota-se furo-a-furo (do 1.º ao 2.º, do 2.º ao 3.º). Os erros somam-se e a posição do último furo fica imprecisa.
- A partir de uma referência: cotam-se todos os furos à mesma face/origem. Cada cota é independente e o erro não se acumula.
É preferível cotar a partir de uma referência funcional.
Exercício 5 · Símbolos de cotagem
Escreve a cotagem para: (a) um furo de diâmetro 10; (b) um raio de 5; (c) quatro furos iguais de 6; (d) uma rosca métrica de 8.
Resposta:
- (a) ⌀10
- (b) R5
- (c) 4× ⌀6
- (d) M8
Exercício 6 · Tolerância
Um veio está cotado ⌀30 ±0,1. Indica o intervalo aceitável e diz se uma medida de 30,15 é aceite.
Resposta:
Intervalo aceitável: 29,9 a 30,1 mm. A medida 30,15 está acima do limite superior (30,1) → a peça é rejeitada.
Exercício 7 · Roscas e fixadores
Como se representa convencionalmente a rosca de um parafuso e como se designa um parafuso normalizado (não se desenha por inteiro)?
Resposta:
Rosca (representação convencional): linha grossa no diâmetro exterior e linha fina no núcleo (num furo roscado é o inverso).
O parafuso é normalizado, por isso indica-se apenas a designação, ex.: parafuso M8×30 ISO 4762 (M = métrica, 8 = diâmetro nominal, 30 = comprimento). Basta isto para o identificar e adquirir.
Exercício 8 · Lista de peças e legenda
Num desenho de conjunto de um suporte com 4 peças, o que liga cada peça à sua identificação e que informação deve constar da lista de peças?
Resposta:
Cada peça leva um número de balão ligado por uma linha à lista de peças (nomenclatura). A lista indica, por item: n.º, designação, quantidade, material e norma/referência. A legenda (cartela) identifica o desenho (título, escala, formato, autor, data, revisão e símbolo do diedro). Sem lista e legenda, o conjunto não é utilizável no fabrico.