Ficha 02 · Produzir, montar, animar e entregar
Exercício 1 · Definir os parâmetros de câmara
Vais filmar, no mesmo dia: (a) uma entrevista sentada junto a uma janela grande ao meio-dia; (b) planos de uma equipa a jogar futebol num relvado ao sol, com intenção de usar câmara lenta; (c) planos de pormenor de mãos a montar um componente, numa bancada com luz de tungsténio.
Indica, para cada situação: fps, obturação, abertura, ISO, balanço de brancos e acessórios necessários. Justifica.
Resposta:
| (a) Entrevista à janela | (b) Futebol / câmara lenta | (c) Pormenor com tungsténio | |
|---|---|---|---|
| fps | 25 | 50 (para reproduzir a 25 = metade da velocidade) | 25 |
| Obturação | 1/50 (regra dos 180°) | 1/100 (180° de 50 fps) | 1/50 |
| Abertura | f/2.8–f/4 — separa do fundo | f/4–f/5.6 — margem de foco com sujeitos em movimento | f/4–f/5.6 — profundidade suficiente para as mãos e a peça |
| ISO | ISO nativo (ex.: 800 em muitas câmaras) | ISO nativo baixo (ex.: 100–400) | ISO nativo; se faltar luz, acrescentar painel LED em vez de subir |
| Balanço | Fixo a ~5600 K (luz de dia) | Fixo a ~5600 K | Fixo a ~3200 K — ou LED a 3200 K, ou trocar a lâmpada |
| Acessórios | Tripé, refletor/cartão branco do lado oposto, lapela | Filtro ND (obrigatório: sol + 1/100 = sobre-exposição), monopé | Tripé, painel LED difuso, lente macro ou 50 mm com distância curta |
Justificações-chave:
- A obturação nunca é usada para controlar exposição em vídeo. Está presa à regra dos 180°, senão o movimento fica com aspeto errado (estroboscópico se demasiado rápida, arrastado se demasiado lenta). Por isso a exposição em exterior se resolve com ND, não fechando o diafragma até f/16 — o que degradaria a nitidez por difração.
- A câmara lenta filma-se a 50 fps, não se cria na montagem. Abrandar material de 25 fps obriga o programa a inventar fotogramas, com artefactos visíveis.
- Balanço de brancos sempre manual. No automático, a câmara reavalia a cena a meio do plano — sobretudo em (a), onde alguém passa em frente à janela — e a cor "salta". Numa entrevista de 20 minutos, isso é impossível de corrigir plano a plano.
- Mistura de fontes de luz em (c): se a bancada tem tungsténio (3200 K) e chega luz de janela (5600 K), há duas dominantes na mesma imagem. Solução por ordem de preferência: tapar a janela, ou substituir a lâmpada por LED da mesma temperatura, ou colocar gelatina de conversão. Corrigir isto na montagem é sempre pior.
- Aviso de projeto: (a) e (c) a 25 fps, (b) a 50 fps — está correto, porque o material a 50 fps é reproduzido a 25 na timeline. O que não se pode é ter uma timeline a 25 e outra a 30.
Exercício 2 · Diagnóstico de som
Recebeste os brutos de uma entrevista com estes problemas: (1) picos a −1 dBFS com distorção em duas frases; (2) zumbido grave contínuo em toda a gravação; (3) roçar de tecido intermitente; (4) sem room tone gravado; (5) uma frase importante gravada apenas pelo microfone da câmara, a três metros.
Diagnostica a causa provável de cada problema e indica o que é recuperável e o que exige regravação.
Resposta:
| # | Causa provável | Recuperável? | Ação |
|---|---|---|---|
| 1 | Ganho de entrada demasiado alto; não se monitorizou com auscultadores | Parcialmente. Se só tocou os −1 dBFS sem cortar, dá para baixar e comprimir. Se há distorção audível, a informação foi perdida no ficheiro — nenhum programa a recupera | Verificar frase a frase; as duas frases distorcidas devem ser regravadas em locução ou substituídas por outra formulação existente noutro take |
| 2 | Interferência elétrica (cabo mal blindado junto a corrente) ou ventilação/AC ligado | Sim — zumbido contínuo e de frequência estável remove-se bem com perfil de ruído e/ou filtro notch nos 50 Hz e harmónicas | Capturar o perfil num trecho sem fala; aplicar redução moderada. Excesso deixa a voz metálica |
| 3 | Lapela mal colocada, sob roupa ou junto a colarinho que roça | Parcialmente — cada roçar é um evento curto: edita-se manualmente, atenuando ou cobrindo com um plano de corte | Editar caso a caso. Prevenção: prender a ~20 cm da boca, por fora, com laço de segurança no cabo |
| 4 | Esquecimento na rodagem | Sim, com trabalho | Extrair 2–3 s do trecho mais limpo entre frases e construir uma faixa contínua com sobreposições suaves (crossfade), colocada por baixo de toda a sequência |
| 5 | Não se ligou a lapela nesse momento; distância de 3 m capta sobretudo a reverberação da sala | Má qualidade, mas não perdida | Três hipóteses, por ordem: (i) usar outra formulação da mesma ideia captada com lapela; (ii) regravar essa frase em locução e cobrir com b-roll (o espectador não vê a boca, logo não há dessincronização); (iii) manter e assumir a mudança de textura, o que só se justifica se for um momento de valor documental irrepetível |
Regra de fundo: dos cinco problemas, quatro eram evitáveis com auscultadores postos durante a gravação. Este é o único hábito que separa som utilizável de som perdido — e não custa dinheiro.
Cadeia de tratamento na ordem correta: filtro passa-alto (~80–100 Hz) → redução de ruído moderada → edição manual dos roçares → equalização → compressão (~3:1) → mistura com música 12–18 dB abaixo e automação → normalização a ≈ −14 LUFS com pico verdadeiro ≤ −1 dBTP.
Exercício 3 · Corrigir uma sequência de montagem
Uma sequência de diálogo entre duas pessoas foi montada assim:
- PG dos dois à mesa (6 s)
- PM de A a falar, câmara à esquerda da linha de ação (5 s)
- PM de B a responder, câmara à direita da linha de ação (5 s)
- PM de A outra vez, mesmo enquadramento e mesmo ângulo do plano 2 (4 s)
- Fundido a preto (1,5 s)
- PG dos dois, agora com o ambiente sonoro completamente diferente (5 s)
Identifica quatro erros e indica a correção de cada um.
Resposta:
Erro 1 — Quebra da regra dos 180° (planos 2 e 3). A câmara atravessou a linha de ação, e no ecrã as duas personagens parecem trocar de lugar e passam a olhar na mesma direção em vez de uma para a outra. Correção: refilmar o plano 3 do mesmo lado da linha; se não for possível, inserir entre eles um plano neutro (plano de pormenor das mãos, das chávenas) ou um plano do eixo (sobre a linha), que "reinicia" a orientação do espectador. Espelhar a imagem só funciona se não houver texto, relógios ou assimetrias visíveis.
Erro 2 — Corte "salto" no plano 4. Voltar ao mesmo enquadramento e ao mesmo ângulo de A produz um jump cut acidental: a personagem parece dar um pulo. Correção: aplicar a regra dos 30° — mudar o ângulo em pelo menos 30° ou a escala de plano (por exemplo, entrar em grande plano na segunda intervenção de A, o que também é dramaticamente correto se a tensão subiu).
Erro 3 — Fundido a preto no meio de uma cena. O fundido a preto significa "passou tempo" ou "acabou um bloco". Aqui, entre duas partes do mesmo diálogo, é uma pontuação errada que quebra a leitura. Correção: corte direto. Reservar o fundido para a mudança de bloco ou de tempo.
Erro 4 — Rutura de continuidade sonora no plano 6. O ambiente muda de repente, o que denuncia que os planos foram gravados em momentos diferentes e destrói a ilusão de continuidade. Correção: colocar uma faixa contínua de room tone por baixo de toda a sequência e usar crossfades de 0,5–1 s nas junções de ambiente. Se possível, um J-cut — deixar o ambiente do plano 6 entrar 1 s antes da imagem — suaviza a transição.
Melhoria adicional (não é erro, é oficio): a sequência não tem nenhum plano de corte. Um pormenor (mãos, objeto sobre a mesa, reação de quem ouve) permitiria encurtar as frases longas de A e B sem que se notasse o corte, e daria ritmo a uma sequência atualmente muito estática (planos todos entre 4 e 6 s).
Exercício 4 · Cor: ordem de trabalho
Três planos da mesma entrevista foram filmados com uma hora de intervalo. O primeiro está bem exposto e neutro; o segundo está 1 diafragma subexposto e mais azulado (o sol entrou numas nuvens); o terceiro está bem exposto mas com dominante quente (acendeu-se a luz do teto).
Descreve o procedimento completo, por ordem, para que os três planos combinem — e explica que instrumentos usarias para não decidir "a olho".
Resposta:
Fase 1 — Correção (técnica), plano a plano:
- Escolher o plano de referência: o primeiro, que está neutro e bem exposto. Todos os outros passam a ser ajustados em direção a este, e não cada um ao gosto do momento.
- Plano 2 (subexposto e azulado): subir a exposição em ~1 diafragma verificando na waveform que os tons de pele voltam à mesma zona do plano 1 (tipicamente 55–70 IRE em pele clara); depois corrigir o balanço, empurrando a temperatura para o quente até o traço de pele no vetorscópio cair de novo sobre a linha de tons de pele.
- Plano 3 (dominante quente): baixar temperatura e ajustar o matiz até o mesmo alinhamento no vetorscópio; verificar que os brancos da cena (uma parede, uma camisa) ficam neutros — no vetorscópio, próximos do centro.
- Verificar sombras e altas luzes nos três: mesmo ponto de preto e mesmo ponto de branco. É isto que faz os planos "combinarem" mais do que a cor propriamente dita.
Fase 2 — Uniformização: ver os três seguidos, em loop, e afinar as diferenças que sobram. Comparar sempre lado a lado, nunca de memória.
Fase 3 — Etalonagem (expressiva): só agora aplicar o aspeto pretendido — por exemplo, ligeira dessaturação e sombras mais frias — como camada por cima, igual nos três planos. Se se etalona antes de corrigir, cada plano parte de um sítio diferente e o aspeto fica desigual.
Fase 4 — Verificação: confirmar que a luminância se mantém dentro da gama legal (Rec. 709), sem zonas totalmente queimadas nem esmagadas, e rever numa segunda superfície (outro monitor, ou o telemóvel).
Instrumentos e porquê: a waveform mede luminância objetivamente — indispensável porque o olho adapta-se e, ao fim de 20 minutos, aceita como neutro o que não é. O vetorscópio com a linha de tons de pele é a referência mais fiável para rostos, que é onde qualquer desvio se nota. Decidir cor num monitor por calibrar, numa sala às escuras, ao fim da noite, é a receita habitual para entregar uma peça verde que ninguém percebe porquê.
Exercício 5 · Animação e infográfico
Tens de animar um infográfico de 20 segundos com estes dados de uma associação cultural:
| Ano | Espetadores |
|---|---|
| 2023 | 4 200 |
| 2024 | 5 100 |
| 2025 | 9 800 |
Descreve a construção da animação (elementos, ordem de entrada, temporizações, curvas) e indica três regras de honestidade dos dados que vais respeitar.
Resposta:
Construção (20 s a 25 fps = 500 fotogramas):
| Momento | O que acontece | Temporização e curva |
|---|---|---|
| 0–2 s | Entra o título "Espetadores por ano" e a fonte, em baixo, corpo pequeno | Aparecimento com ease out, 12 fotogramas |
| 2–3 s | Entram os eixos e as etiquetas dos anos, da esquerda para a direita | Desfasamento de 4 fotogramas entre elementos (stagger) |
| 3–6 s | Barra de 2023 cresce de baixo para cima até 4 200 | 20 fotogramas, ease out (arranca rápido, trava suave) |
| 6–9 s | Barra de 2024 cresce; contador numérico sobe em simultâneo | Igual, com 6 fotogramas de atraso em relação à barra |
| 9–13 s | Barra de 2025 cresce, mais devagar e com ligeira ultrapassagem e recuo | 30 fotogramas + overshoot de 3 — dá peso ao número maior |
| 13–16 s | Destaque: a barra de 2025 muda para a cor de acento e aparece "+92% face a 2024" | Ease in-out, 15 fotogramas |
| 16–20 s | Sai o gráfico, entra a chamada à ação e o logótipo | Saída com ease in, 12 fotogramas |
Decisões de método:
- Nada com interpolação linear. Barras que crescem a velocidade constante parecem uma barra de progresso de instalação, não um dado a revelar-se.
- Uma ideia por momento (encenação): enquanto uma barra cresce, mais nada se mexe. Se as três crescessem em simultâneo, não se leria nenhuma.
- O contador numérico acompanha a barra — se o número aparecer só no fim, perde-se a ligação entre o valor e a altura.
- A barra maior demora mais tempo, o que é fisicamente coerente (mais distância a percorrer) e, comunicativamente, dá-lhe importância.
Três regras de honestidade:
- O eixo começa no zero. Se começasse em 4 000, a subida de 2023 para 2024 pareceria um salto enorme quando é de 21%. Truncar o eixo é a forma mais comum de mentir com gráficos.
- A fonte está visível em ecrã durante toda a peça, em corpo pequeno mas legível ("Fonte: relatório de atividades 2025"). Um número sem origem não é informação, é alegação.
- A comparação é proporcional. Se em vez de barras se usarem ícones ou círculos, a grandeza tem de ser representada pela área, não pelo diâmetro — duplicar o diâmetro quadruplica a área e exagera visualmente por um fator de 4.
Nota de contexto: o crescimento de 2024 para 2025 é de 92%. Vale a pena verificar se houve uma causa pontual (um festival, uma edição extraordinária) e dizê-lo. Um número espetacular sem explicação levanta suspeita; um número espetacular com causa constrói credibilidade.
Exercício 6 · Guião de peça multimédia interativa
Uma escola profissional quer um módulo interativo de 15 minutos sobre segurança em laboratório, para alunos do 1.º ano, com avaliação no fim.
Desenha o mapa de navegação e escreve a ficha de dois ecrãs (um de conteúdo, um de avaliação). Indica o que acontece em cada resposta possível.
Resposta:
Mapa de navegação:
[Entrada: "Antes de entrares no laboratório"]
│
├─→ [1. Equipamento de proteção] ──→ [Q1: arrastar EPI para a situação]
│
├─→ [2. Produtos e pictogramas] ───→ [Q2: identificar pictogramas]
│
├─→ [3. O que fazer se correr mal] → [Q3: cenário ramificado]
│
├─→ [Glossário] ← acessível de qualquer ecrã (ícone fixo)
│
└─→ [Avaliação final: 8 perguntas]
├─ ≥ 75% → [Ecrã de conclusão + comprovativo]
└─ < 75% → [Revisão dirigida aos módulos falhados] → repetir
Princípios aplicados: os três módulos podem ser feitos por qualquer ordem (autonomia), mas a avaliação final só desbloqueia depois dos três; o glossário é acessível de todos os ecrãs; todo o nó tem saída, incluindo os ecrãs de resultado; e há sempre indicação de progresso ("Módulo 2 de 3").
Ficha do ecrã 2.3 — conteúdo
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Título | Pictogramas: o que cada símbolo te diz |
| Objetivo | Reconhecer os 5 pictogramas mais frequentes no laboratório da escola |
| Conteúdo | Imagem interativa: fotografia real da prateleira de reagentes do laboratório, com 5 pontos sensíveis |
| Interação | Clicar num frasco abre um cartão com o pictograma, o nome do perigo e uma frase do que fazer |
| Retorno | O frasco visitado fica com um visto; contador "3 de 5 explorados" |
| Regra de avanço | O botão "Continuar" só ativa com os 5 explorados (e diz porquê, em vez de estar apenas cinzento) |
| Acessibilidade | Cada ponto navegável por teclado (Tab), com texto alternativo descritivo; nenhuma informação transmitida apenas pela cor do pictograma |
| Saídas | ← Ecrã 2.2 · Glossário · → Q2 |
Ficha do ecrã Q2 — avaliação
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Título | Que perigo é este? |
| Tipo | 5 pares pictograma ↔ significado, por arrastamento |
| Enunciado | "Arrasta cada símbolo para a descrição correta. Podes tentar as vezes que precisares." |
| Resposta certa | O par fixa-se com animação curta (ease) e som discreto de confirmação; o contador sobe |
| Resposta errada | O símbolo volta à origem com um movimento suave (não desaparece nem é penalizado); aparece a pista: "Este símbolo tem que ver com o que acontece à pele, não com o que acontece ao ambiente." |
| Após 2 erros no mesmo par | Abre um cartão de reforço com o conteúdo do ecrã 2.3 e um botão "Voltar a tentar" |
| Conclusão | Com os 5 pares certos: síntese em 3 linhas + botão "Continuar"; regista-se a tentativa para o relatório do formador |
| Acessibilidade | Alternativa por seleção (clicar no símbolo, depois clicar na descrição) para quem não pode arrastar; foco visível; sem limite de tempo |
| Saídas | ← Módulo 2 · → Módulo 3 · Glossário |
Decisão pedagógica a assinalar: as respostas erradas não penalizam — reencaminham. Num módulo de segurança, o objetivo é que a pessoa saia a saber, não medir quem já sabia à entrada. A avaliação com nota fica reservada ao teste final.
Exercício 7 · Exportar para três destinos
Terminaste um master 16:9, 3840 × 2160, 25 fps, com narração e música. Tens de entregar: (a) YouTube, (b) reel de Instagram, (c) ecrã mudo em ciclo na receção da empresa.
Indica, para cada destino, os parâmetros de exportação e as alterações de montagem necessárias. E explica porque não podes exportar (b) e (c) a partir do ficheiro já exportado para (a).
Resposta:
| (a) YouTube | (b) Reel Instagram | (c) Ecrã da receção | |
|---|---|---|---|
| Resolução | 3840 × 2160 (ou 1920 × 1080) | 1080 × 1920 | 1920 × 1080 |
| fps | 25 | 25 | 25 |
| Codec / contentor | H.264 (ou H.265) / MP4 | H.264 / MP4 | H.264 / MP4 |
| Taxa de dados | ~35–45 Mbps (4K) ou 10–12 (1080p) | 10–12 Mbps | 10–12 Mbps |
| Áudio | AAC 48 kHz estéreo, ≈ −14 LUFS, ≤ −1 dBTP | AAC 48 kHz, ≈ −14 LUFS | Sem áudio (ou faixa silenciosa) |
| Duração | Versão integral | Corte de 30–45 s | Ciclo de 20–40 s |
| Legendas | SRT/VTT separado (permite pesquisa e tradução) | Gravadas na imagem | Cartões de texto grandes |
Alterações de montagem, não só de exportação:
- (b) Reel: não é um recorte — é uma remontagem. Reenquadrar plano a plano a partir do 4K (é para isto que serve a resolução extra), respeitar as zonas seguras (~250 px livres em cima e em baixo), pôr o gancho nos primeiros 2 segundos e cortar tudo o que for institucional. Legendas gravadas, porque a peça vai ser vista sem som.
- (c) Ecrã da receção: a peça tem de funcionar muda. Toda a informação que estava na narração passa a cartões de texto em corpo grande e alto contraste. O fim tem de ligar visualmente ao início, para o ciclo não dar um solavanco. Sem chamada à ação com URL longo — ninguém escreve um endereço a partir de um ecrã de parede; usar um QR grande, com tempo suficiente em ecrã.
Por que não exportar (b) e (c) a partir de (a): o ficheiro (a) já é uma versão comprimida com perdas. Comprimir outra vez a partir dele acumula degradação (recompressão em cascata) — artefactos em zonas de gradiente, contornos sujos no texto e ruído nas sombras. Além disso, no caso (b) o reenquadramento a partir de um 1080p exportado obrigaria a ampliar a imagem, com perda visível de nitidez, enquanto a partir do master 4K o recorte é feito sem qualquer perda de resolução. Regra geral: todas as saídas nascem do master, nunca umas das outras.
Exercício 8 · Segurança, ambiente e qualidade
Vais coordenar uma rodagem de um dia numa serralharia em funcionamento, com dois operadores a trabalhar em máquinas, filmagem em exterior junto à via de acesso, e uso de drone para um plano aéreo do pavilhão.
Elabora: (a) uma avaliação de riscos com cinco riscos e as medidas correspondentes; (b) três medidas ambientais; (c) a checklist de qualidade de entrega.
Resposta:
(a) Avaliação de riscos
| Risco | Onde | Medida de prevenção |
|---|---|---|
| Projeção de partículas / faíscas (rebarbadora, soldadura) | Junto às máquinas | Óculos de proteção para toda a equipa, não só para os operadores; nunca filmar de frente para a linha de projeção; máscara de soldadura ou filtro para quem filma soldadura; distância mínima acordada com o responsável |
| Ruído acima do limite de exposição | Pavilhão | Protetores auriculares para a equipa; entrevistas deslocadas para sala anexa; o operador de som usa auscultadores fechados, com atenção ao nível de monitorização |
| Tropeçamento em cabos | Zonas de passagem e junto às máquinas | Cabos fixos com fita de palco ou passa-cabos, encaminhados pelas paredes, nunca a cruzar corredores de circulação de material; extensões com proteção diferencial |
| Atropelamento na via de acesso | Exterior | Coletes refletivos, um elemento da equipa dedicado a vigiar o trânsito (não filma nem opera), câmara nunca montada na faixa de rodagem, autorização prévia ao responsável do estaleiro |
| Queda de drone sobre pessoas | Sobrevoo do pavilhão | Operação em conformidade com as regras da ANAC e do regulamento europeu: operador registado, categoria adequada, distâncias mínimas a pessoas não envolvidas, verificação de zona não interdita, seguro válido. Ninguém sob a trajetória; voo com a produção parada em terra; verificação prévia de vento e bateria; plano de aterragem de emergência |
Regras transversais: briefing de segurança de 10 minutos com toda a gente antes de começar; identificação de um responsável de segurança da equipa e do interlocutor da serralharia; contactos de emergência afixados; cumprimento integral dos EPI da instalação (nós somos visitantes, as regras são deles); ninguém filma de costas para máquinas em funcionamento.
(b) Medidas ambientais
- Agrupar deslocações e material. Uma única viagem com todo o equipamento, e toda a rodagem (institucional, verticais e fotografias) feita no mesmo dia, em vez de três visitas. É a medida com maior impacto real.
- Iluminação LED em vez de tungsténio: consumo muito inferior, menos calor num pavilhão já quente, e menor carga elétrica numa instalação industrial. Baterias de lítio carregadas sob vigilância; unidades danificadas ou inchadas retiradas de serviço e encaminhadas para recolha de pilhas e acumuladores, nunca lixo comum.
- Gestão de resíduos e de dados. Equipamento avariado encaminhado para o circuito REEE; sem descartáveis no catering; e, do lado digital, arquivo com critério — guardar o master, os brutos selecionados e o projeto, e não catorze exportações quase iguais. Armazenar e transferir também consome energia.
- (Extra) Deixar o local como se encontrou — é a condição elementar de voltar a ser autorizado.
(c) Checklist de qualidade de entrega
- [ ] Áudio dentro do alvo (≈ −14 LUFS, pico ≤ −1 dBTP), sem cortes nem quedas de ambiente
- [ ] Voz inteligível com as legendas desligadas, verificada em auscultadores, colunas e altifalante de telemóvel
- [ ] Legendas revistas por uma pessoa (nomes próprios, siglas, números, unidades) e sincronizadas
- [ ] Ortografia de todos os grafismos e cartões, revista por quem não montou
- [ ] Logótipo na versão correta, com margens de proteção respeitadas
- [ ] Cor uniformizada entre planos da mesma cena; nada queimado nem esmagado
- [ ] Formatos, resoluções e durações conforme o pedido, todos exportados do master
- [ ] Zonas seguras respeitadas nas versões verticais
- [ ] Licenças de música arquivadas com comprovativo (SPA / PassMúsica / biblioteca)
- [ ] Autorizações de imagem assinadas por todos os identificáveis, com usos e prazos
- [ ] Nenhuma informação confidencial visível: desenhos técnicos, ecrãs com dados de clientes, matrículas, documentos na parede
- [ ] Versionamento (
v01…final_aprovado) com registo do que mudou e de quem aprovou - [ ] Cópia de segurança do master e dos brutos em dois suportes, um deles fora do local
- [ ] Ficha de entrega com formatos, destinos e plano de medição acordado