Partilhar: WhatsApp
aulify
UC UC00287 · T. Marketing/RP

Ficha 01 · Analisar suportes, narrativa e guião

Da escolha do suporte à sinopse, ao guião cronometrado e ao storyboard
Versão · Aluno
Tempo · 45 minutos
Aluno(a)
Turma
Data

Exercício 1 · Escolher o suporte

Uma junta de freguesia vai lançar um novo serviço de recolha de resíduos volumosos a pedido (móveis velhos, eletrodomésticos). Hoje as pessoas deixam tudo na rua, junto aos contentores. O público são adultos dos 30 aos 75 anos residentes na freguesia, com literacia digital muito variável.

Escreve a cascata completa (objetivo de negócio → objetivo de comunicação → mensagem → suporte) e justifica a escolha do suporte com as três perguntas de decisão.

Resposta:

As três perguntas:

  1. Existe no mundo físico? Sim — há a carrinha, os funcionários, os móveis, a rua. Logo, vídeo captado, que é também o que dá credibilidade a um serviço municipal. A animação afastaria.
  2. Precisa de decidir o percurso? Não. Peça linear.
  3. Contexto? Público muito heterogéneo, com uma parte que não usa redes sociais. Consumo repartido entre telemóvel e presencial.

Decisão — três saídas da mesma rodagem:

Complemento não-audiovisual: um folheto A5 na caixa do correio, porque uma parte do público não vai ver nada disto online. Reconhecer isto faz parte de analisar bem os suportes.

Exercício 2 · Corrigir uma escolha errada

Pedido recebido: "Queremos uma animação 3D de 4 minutos a explicar a história dos nossos 40 anos, para passar na feira do sector."

Identifica quatro problemas desta encomenda e propõe uma alternativa fundamentada.

Resposta:

Problemas:

  1. Suporte escolhido antes da mensagem. "Animação 3D" é uma decisão de produção, não uma decisão de comunicação. Falta saber o que se quer que aconteça na cabeça de quem passa na feira.
  2. Duração incompatível com o contexto. Numa feira, ninguém fica 4 minutos em frente a um ecrã: passa-se, olha-se 5 a 15 segundos. A duração foi escolhida pela quantidade de informação a debitar, não pelo tempo de atenção disponível.
  3. Animação 3D é o suporte mais caro por segundo — e a informação em causa (40 anos de história, com pessoas, instalações e produtos reais) existe no mundo físico. É exatamente o caso em que se filma.
  4. Som. Numa feira o ruído é enorme e o público não usa auscultadores. Uma peça que depende de narração não comunica nada ali.

Alternativa proposta:

Argumento a usar com o cliente: a métrica da feira não é "quantos viram o vídeo todo", é "quantos pararam no stand e iniciaram conversa". A peça é uma isca visual, não um documentário.

Exercício 3 · Logline e sinopse

Uma associação de bombeiros voluntários quer recrutar novos elementos. O ângulo escolhido é o de uma jovem de 19 anos, estudante, que entrou há um ano e faz turnos à noite.

Escreve a logline (uma frase: personagem + objetivo + obstáculo) e a sinopse (6 a 10 linhas, com o final incluído) de uma peça de 90 segundos.

Resposta:

Logline: Uma estudante de 19 anos quer provar — a si própria e aos pais — que consegue ser bombeira voluntária sem desistir do curso, quando a primeira saída a sério lhe corre mal.

Sinopse: A Rita tem 19 anos, estuda enfermagem e entrou para os bombeiros voluntários há um ano, contra a opinião dos pais, que acham que "não vai aguentar". A peça acompanha uma noite de turno: a espera no quartel, o convívio com a equipa, o momento em que o alerta toca. Vemos a Rita a preparar-se com uma competência que contrasta com a idade que aparenta. A saída é uma ocorrência banal — uma queda em casa — mas para ela é a confirmação de que sabe estar ali. No regresso ao quartel, ao amanhecer, a Rita conta que a parte mais difícil não foi o treino nem o medo: foi convencer toda a gente de que uma rapariga de 19 anos pode ser útil às três da manhã. A peça termina com ela a fechar o cacifo e a dizer, ao olhar para a câmara, que a corporação precisa de mais gente — e com a informação de como qualquer pessoa se pode inscrever.

Nota de método. A sinopse conta o final de propósito: é o final que revela se a peça tem tese ou é apenas um conjunto de imagens bonitas. E o conflito escolhido — "não vais aguentar" — é interior e social, o que é mais forte e mais barato de filmar do que um incêndio.

Exercício 4 · Guião cronometrado

Escreve as primeiras 8 linhas do guião a duas colunas da peça do exercício anterior (aproximadamente os primeiros 30 segundos), com coluna de duração. Depois verifica se a narração cabe no tempo previsto, usando a referência de 2,3 a 2,7 palavras por segundo.

Resposta:
# IMAGEM SOM Dur.
1 Escuro. Pormenor do capacete pousado no banco, luz do corredor. Silêncio. Zumbido de fluorescente. 2 s
2 GP do rádio no cinto. Luz vermelha a piscar. Estática do rádio, muito baixa. 2 s
3 PM de Rita sentada no quartel, olha o telemóvel. RITA (OFF): "Toda a gente me disse que eu não ia aguentar." 4 s
4 PG do quartel de noite, três pessoas à mesa. Ambiente: conversa indistinta, cadeira a arrastar. 3 s
5 Pormenor das mãos de Rita a dobrar o casaco. RITA (OFF): "Eu tinha dezoito anos e um curso para acabar." 4 s
6 GP de Rita, olha para fora de campo. Entra música: nota longa, grave. 3 s
7 Insert: fotografia dela em criança em frente ao quartel. RITA (OFF): "Passava aqui à porta todos os dias, a caminho da escola." 5 s
8 PM do alerta a tocar. Rita levanta-se de um salto. Sirene de alerta. Música corta a seco. 4 s

Total do bloco: 27 s.

Verificação de tempo da narração:

# Palavras Tempo mínimo a 2,7 p/s Tempo previsto Margem
3 10 3,7 s 4 s apertado, aceitável
5 11 4,1 s 4 s insuficiente
7 12 4,4 s 5 s folga

Correções: a linha 5 tem de subir para 5 s ou perder uma palavra — a versão "Eu tinha dezoito anos e um curso para acabar" passa a 5 s, com respiração antes da linha 6. Total ajustado: 28 s.

Decisão de realização a assinalar: a música entra na linha 6 e corta a seco na linha 8, com a sirene. Este corte de música é o que faz o espectador endireitar-se na cadeira — e é a razão pela qual o bloco inicial é deliberadamente calmo.

Exercício 5 · Storyboard

Desenha (bonecos de pauzinhos chegam) o storyboard das linhas 1 a 4 do guião anterior. Para cada vinheta, indica: escala de plano, movimento, som e duração. Depois explica duas decisões de composição que tomaste e porquê.

Resposta:

Vinheta 1 — Pormenor · câmara fixa · capacete a ocupar ⅔ inferiores do quadro, escuro em cima · som: silêncio + zumbido · 2 s. Vinheta 2 — Grande plano · fixo · rádio à esquerda do quadro, ponto vermelho na interseção superior esquerda dos terços · estática · 2 s. Vinheta 3 — Plano médio · fixo, tripé · Rita à direita do quadro, a olhar para a esquerda, com ar de olhar à esquerda · narração · 4 s. Vinheta 4 — Plano geral · panorâmica muito lenta da esquerda para a direita · mesa ao fundo, primeiro plano desfocado com um capacete · ambiente · 3 s.

Duas decisões de composição:

  1. Rita à direita, a olhar para a esquerda (vinheta 3). O espaço vazio à esquerda não é desperdício: é onde o espectador projeta aquilo de que ela fala — o passado, "toda a gente que lhe disse que não ia aguentar". Além disso, permite inserir legenda ou grafismo nesse terço sem tapar o rosto. Se ela estivesse centrada, a imagem seria simétrica e inerte.
  2. Primeiro plano desfocado na vinheta 4. Um capacete em primeiro plano fora de foco cria profundidade e diz "estamos dentro do quartel, entre o material" sem precisar de plano explicativo. É a diferença entre um plano geral que descreve e um plano geral que coloca o espectador lá dentro.

Nota de método. Somando as durações das quatro vinhetas: 11 s. Feito o storyboard completo, a soma dá a duração da peça antes de filmar — e é aí que se descobre que faltam planos de ligação ou que a peça tem 2 minutos quando devia ter 90 segundos.

Exercício 6 · Do storyboard à lista de planos

A partir das 8 linhas do guião, constrói a lista de planos (shot list) agrupada por local e por pessoa, e indica três planos de recurso (b-roll) que gravarias mesmo não estando no guião. Justifica.

Resposta:

Lista agrupada — Local A: dormitório/corredor (sem participantes)

# do guião Plano Escala Notas
1 Capacete no banco Pormenor Luz do corredor; desligar luz do teto
2 Rádio no cinto GP Precisa de fonte de luz vermelha; testar antes

Local B: sala de convívio (Rita + 3 figurantes da corporação)

# do guião Plano Escala Notas
3 Rita sentada PM Lapela; tripé; luz de janela ou painel LED suave
4 Sala com equipa PG Panorâmica lenta; primeiro plano com capacete
6 Rita olha fora de campo GP Mesma luz do plano 3 — não desmontar entre os dois
8 Alerta toca, levanta-se PM Repetir 3 vezes; captar som real da campainha à parte

Local C: arquivo/entrada — plano 7 (fotografia de infância): fotografar em macro ou digitalizar; não filmar de telemóvel em cima.

Princípio da agrupagem: os planos 3, 6 e 8 são todos no mesmo local com a mesma pessoa — filmam-se de seguida, sem mexer na luz. O guião separa-os; a rodagem junta-os. Poupam-se 40 minutos.

Três planos de recurso a gravar de qualquer forma:

  1. Mãos a apertar o cinto / atacadores da bota. É o plano de corte universal desta peça: entra em qualquer ponto para esconder um corte na narração de Rita.
  2. Carro de bombeiros a sair do portão, de dentro para fora, com contraluz. Se a saída real correr mal ou não houver autorização para acompanhar a ocorrência, este plano salva o terceiro ato.
  3. Room tone do quartel, 30 segundos, com toda a gente calada. Não é imagem, mas é o plano de recurso mais valioso: sem ele, o som "desaparece" em cada corte da montagem.

Extra de rentabilização: a mesma rodagem produz, sem custo adicional, 4 verticais de 15 s (uma frase forte cada), 6 fotografias para a página de recrutamento, e o material de arquivo para o vídeo do aniversário da corporação no ano seguinte. Isto planeia-se agora, não se descobre depois.

Exercício 7 · Análise crítica de uma peça

Escolhe um vídeo institucional de uma empresa portuguesa com mais de 60 segundos. Analisa-o segundo esta grelha e conclui com três recomendações concretas.

Dimensão O que verificar
Abertura O que acontece nos 3 primeiros segundos?
Estrutura Há personagem, conflito e resolução — ou é catálogo?
Ritmo Duração média dos planos; há variação?
Som Voz percetível? Música equilibrada? Ambiente contínuo?
Imagem Composição, luz, coerência de cor
Acessibilidade Legendas? Contraste? Depende só de som ou só de cor?
Chamada à ação O que se pede, e está claro?
Resposta:

(Exemplo-modelo de análise — o teu vídeo será outro, mas a estrutura da resposta deve ser esta.)

Peça analisada: vídeo institucional de uma empresa de embalagens, 1 min 52 s, publicado no YouTube e no site.

Dimensão Observação
Abertura 0–5 s: logótipo animado sobre fundo azul, sem som além de um whoosh. Cinco segundos sem informação. É onde se perde a maioria.
Estrutura Catálogo: apresentação da empresa → números → equipamentos → certificações → "obrigado". Não há personagem nem conflito. Nada está em jogo.
Ritmo Planos entre 4 e 6 s do princípio ao fim, quase todos com travelling lento de grua. Uniformidade → monotonia. Nenhum plano de pormenor.
Som Narração masculina de estúdio, bem gravada, mas música constante e ao mesmo nível nos momentos de silêncio de voz. Ambiente da fábrica ausente — o que torna a imagem irreal.
Imagem Boa luz industrial; mas dois blocos com dominantes diferentes (um esverdeado, outro azulado) — falta de uniformização na correção de cor.
Acessibilidade Sem legendas. Números importantes ditos apenas em narração, sem aparecerem em ecrã. Contraste do texto final sobre imagem: insuficiente.
Chamada à ação Termina com o logótipo e o endereço do site em corpo pequeno, 2 s. Não se pede nada.

Três recomendações concretas:

  1. Refazer a abertura. Cortar o logótipo animado e começar com o melhor plano da peça (as mãos do operador a verificar uma embalagem) e uma frase concreta em ecrã: "Todos os dias saem daqui 400 000 embalagens. Nenhuma pode falhar." O logótipo passa para o fim. Impacto esperado: retenção aos 3 s.
  2. Introduzir uma personagem e som real. Substituir 40 segundos de narração institucional pelo testemunho de um operador ou de um cliente, e deixar entrar o som ambiente da fábrica, com automação da música (baixa quando alguém fala). Ganha-se credibilidade e resolve-se a monotonia.
  3. Legendar, mostrar os números em ecrã e fechar com uma ação. Legendas gravadas ou SRT; os números ditos passam a aparecer em motion graphics com fonte visível; e o último ecrã pede uma coisa concreta — "Peça uma amostra em [site]" — durante pelo menos 4 segundos, com contraste suficiente.