Ficha 02 · Técnicas, storytelling e avaliação
Exercício 1 · Regras do brainstorming
Vais moderar uma sessão de brainstorming. Enuncia as quatro regras de ouro e explica por que a mais importante é "suspender a crítica".
Resposta:
As quatro regras: 1. Suspender a crítica — nada de julgar durante a sessão. 2. Quantidade acima da qualidade — mais ideias = mais hipóteses de uma boa. 3. Acolher ideias ousadas — o exagero abre caminho. 4. Combinar e melhorar as ideias dos outros.
"Suspender a crítica" é a mais importante porque a crítica precoce fecha as pessoas: assim que alguém sente que vai ser julgado, deixa de arriscar e o grupo colapsa para o óbvio. A avaliação vem depois (fase de convergência), nunca durante a geração.
Exercício 2 · Aplicar SCAMPER
Aplica a técnica SCAMPER para gerar ideias que renovem a comunicação de uma loja de bicicletas local. Dá pelo menos uma ideia por cada letra.
Resposta:
Exemplo (as ideias podem variar): - S ubstituir — trocar o folheto de papel por um vídeo curto no Instagram. - C ombinar — juntar a compra da bicicleta com uma aula gratuita de manutenção. - A daptar — adaptar o formato "test-drive" dos carros para as bicicletas. - M odificar — exagerar: um mupi gigante com uma bicicleta real colada. - P roporcionar outro uso — usar a loja como ponto de encontro de passeios de grupo. - E liminar — tirar todo o texto do anúncio, deixar só a emoção da imagem. - R earranjar — inverter a mensagem: em vez de "compra uma bicicleta", "deixa o carro em casa".
Depois de gerar, converge-se: escolhe-se a ideia mais forte para o objetivo.
Exercício 3 · Pensamento lateral
Explica o que é pensamento lateral e resolve o seguinte: uma marca de água quer aumentar o consumo, mas o mercado está saturado com a mensagem "bebe mais água, é saudável". Propõe um ângulo lateral diferente do óbvio.
Resposta:
Pensamento lateral é abordar o problema por um ângulo inesperado, quebrando a lógica óbvia (pensamento vertical): fazer perguntas provocadoras, inverter o problema, questionar o que se dá por garantido.
Ângulo lateral possível (exemplos válidos vários): em vez de falar de saúde (o óbvio, já saturado), focar a hidratação da pele e beleza, ou associar a água a momentos sociais (garrafa de design para levar para todo o lado como acessório de estilo), ou inverter — "não bebes água a mais, o teu corpo é que perde a mais". O ponto-chave é fugir da mensagem que todos já usam.
Exercício 4 · Construir uma narrativa
Constrói uma pequena narrativa de storytelling para uma marca de material escolar ecológico, identificando os quatro ingredientes (personagem, conflito, transformação, resolução). Lembra-te de quem deve ser o herói.
Resposta:
Exemplo: - Personagem — a Maria, aluna do 10.º ano que se preocupa com o ambiente (o herói é ela, não a marca). - Conflito — sente-se hipócrita por defender o planeta e usar cadernos de plástico e canetas descartáveis. - Transformação — descobre o material escolar ecológico da marca (que entra como guia, não como herói). - Resolução — passa a estudar com material reciclado e sente que as suas ações estão alinhadas com os seus valores.
A marca é o guia que ajuda a heroína (a cliente) a resolver o seu conflito — assim o público identifica-se com a história.
Exercício 5 · Adaptar às redes sociais
A mesma campanha vai para Instagram, TikTok e LinkedIn. Explica por que não deves publicar exatamente o mesmo conteúdo nas três e dá uma adaptação para cada uma.
Resposta:
Não se deve copiar o mesmo conteúdo porque cada plataforma tem a sua linguagem e público; conteúdo nativo de cada rede tem muito mais desempenho do que o mesmo copiado para todas.
Adaptações possíveis: - Instagram — carrossel visual e estético, com um bom design e legendas curtas. - TikTok — vídeo curto e autêntico, aproveitando um som/tendência do momento, com hook nos primeiros 3 segundos. - LinkedIn — post com tom profissional, focado no impacto/dados ou num caso, para um público profissional.
Exercício 6 · Escolher KPIs
Para cada objetivo de campanha, indica um KPI adequado e justifica.
a) Dar a conhecer uma marca nova (notoriedade). b) Aumentar a interação nas redes sociais. c) Vender um produto na loja online.
Resposta:
a) Notoriedade → alcance / impressões (quantas pessoas viram a marca). Mede exposição, que é o objetivo. b) Interação → taxa de interação (likes, comentários, partilhas / alcance). Mede diretamente o envolvimento. c) Vendas → taxa de conversão e ROAS/ROI. Mede o resultado de negócio: quantos compraram e quanto se ganhou por euro investido.
O princípio: o KPI escolhe-se conforme o objetivo — usar likes para medir vendas seria um erro.
Exercício 7 · Testar antes de investir
Explica a diferença entre A/B testing e focus group e indica em que momento do processo criativo se usam.
Resposta:
- Focus group — método qualitativo: um pequeno grupo discute e reage às ideias/peças; dá compreensão do porquê (perceções, emoções).
- A/B testing — método quantitativo: duas versões da peça são mostradas a públicos semelhantes e ganha a que tem melhor resultado real (mais cliques, mais conversões).
Ambos se usam na fase de testes e pesquisas de mercado (fase 6), antes de investir na implementação total — o focus group mais cedo (para afinar o conceito), o A/B testing mais perto do lançamento (para escolher a versão final).
Exercício 8 · Fechar o ciclo
Uma campanha terminou: ficou abaixo do objetivo de vendas, mas teve um alcance enorme. Descreve, passo a passo, o que fazes na fase de feedback e adaptações.
Resposta:
- Comparar resultados vs objetivos: alcance excelente, mas conversão fraca.
- Perceber o porquê: a campanha chamou a atenção (criativa e visível), mas talvez não fosse clara na oferta ou o público não fosse o comprador certo, ou faltasse um bom call to action.
- Adaptar: manter o que resultou (o conceito criativo que gerou alcance) e corrigir o resto — mensagem de venda mais clara, melhor segmentação, CTA mais forte, landing page otimizada.
- Documentar as conclusões e levá-las para a próxima campanha — é assim que o ciclo criativo se fecha e melhora continuamente.