Ficha 02 · Tratar, analisar e concluir
Exercício 1 · Limpar e descrever
Uma turma recolheu 20 questionários sobre gasto semanal em pastelaria (€). Os valores brutos, pela ordem de recolha, são:
6,50 8,00 7,20 0,00 9,50 6,00 240,00 7,80 5,50 8,20
7,00 6,80 — 9,00 8,50 7,50 6,20 8,80 7,40 6,60
O caso de 240,00 € corresponde a um inquirido que respondeu em 38 segundos a um questionário de 22 perguntas. O traço (—) é uma não-resposta.
a) Que decisões de limpeza tomas, e porquê? Documenta-as. b) Calcula média, mediana, moda e desvio-padrão da série limpa. c) Qual das medidas reportas ao cliente, e porquê? d) Escreve a frase exata que aparecerá no relatório.
Resposta:
a) Decisões de limpeza (documentadas)
| Caso | Decisão | Justificação |
|---|---|---|
| 240,00 € | Excluir | Duplo critério: valor implausível para gasto semanal individual em pastelaria e tempo de resposta de 38 s para 22 perguntas (impossível ler as perguntas). Registo: "caso 7 excluído — outlier + tempo de resposta abaixo do limiar de 3 min" |
| 0,00 € | Manter | É uma resposta válida e informativa: há quem não gaste nada. Excluir zeros enviesaria a média para cima |
| — (não-resposta) | Excluir do cálculo, manter o caso na base | A base passa a ter n=20 casos, mas n válido = 18 para esta variável. Reporta-se o n válido |
Regra: nenhuma exclusão é feita sem ficar registada. Se o cliente perguntar "porque é que aqui diz 18 e não 20?", tem de haver resposta.
b) Série limpa (n=18), ordenada:
0,00 5,50 6,00 6,20 6,50 6,60 6,80 7,00 7,20
7,40 7,50 7,80 8,00 8,20 8,50 8,80 9,00 9,50
- Soma = 136,50 € → Média = 136,50 ÷ 18 = 7,58 €
- Mediana = média dos valores 9.º e 10.º = (7,20 + 7,40) ÷ 2 = 7,30 €
- Moda = não há valor repetido → série amodal
- Desvio-padrão amostral ≈ 2,04 € (dominado pelo caso 0,00 €; sem ele, ≈ 1,15 €)
c) Que medida reportar
Média e mediana estão próximas (7,58 € vs 7,30 €), o que indica uma distribuição razoavelmente simétrica depois da limpeza. Reporta-se a média, mencionando a mediana como confirmação. O desvio-padrão de 2,04 € merece nota, porque é quase todo explicado por um único caso de gasto zero — sinal de que a amostra tem um não-consumidor.
Se o outlier de 240 € tivesse sido mantido, a média subiria para 19,8 € — quase três vezes o valor real. Este é o efeito prático da limpeza.
d) Frase para o relatório
"O gasto semanal médio declarado em pastelaria é de 7,58 € (mediana 7,30 €; n=18 respostas válidas em 20 recolhidas). Foram excluídos um caso com valor implausível associado a tempo de resposta inferior ao limiar de validação e uma não-resposta. A dispersão é baixa (dp = 2,04 €), sendo explicada sobretudo por um inquirido que declarou gasto nulo."
Exercício 2 · Cruzar e testar
Um estudo com 320 respostas cruzou a freguesia de residência com a intenção de subscrever um serviço de entrega ao domicílio:
| Sim | Não | Total | |
|---|---|---|---|
| Montijo (centro) | 42 | 108 | 150 |
| Afonsoeiro | 51 | 49 | 100 |
| Freguesias rurais | 47 | 23 | 70 |
| Total | 140 | 180 | 320 |
a) Calcula a percentagem de "Sim" por freguesia e interpreta. b) Calcula o qui-quadrado passo a passo e conclui (valor crítico a 95%, gl=2, é 5,99). c) Escreve a frase de relatório com a notação estatística correta. d) Que recomendação de negócio decorre daqui?
Resposta:
a) Percentagens por linha
| % Sim | Leitura | |
|---|---|---|
| Montijo (centro) | 42/150 = 28% | Tem tudo à mão a pé — a entrega resolve pouco |
| Afonsoeiro | 51/100 = 51% | Zona intermédia |
| Freguesias rurais | 47/70 = 67% | Distância ao comércio é o fator dominante |
| Total | 140/320 = 44% | A média esconde uma variação de 39 pontos |
A leitura global — "44% subscreveria" — levaria a um serviço uniforme para todo o concelho. A leitura por freguesia mostra que o serviço tem procura muito desigual e deve ser lançado onde a procura existe.
b) Qui-quadrado
Frequências esperadas = (total da linha × total da coluna) ÷ 320:
| Esperado Sim | Esperado Não | |
|---|---|---|
| Montijo | 150×140/320 = 65,6 | 150×180/320 = 84,4 |
| Afonsoeiro | 100×140/320 = 43,8 | 100×180/320 = 56,3 |
| Rurais | 70×140/320 = 30,6 | 70×180/320 = 39,4 |
Contribuições:
Montijo Sim (42 − 65,6)² / 65,6 = 556,96 / 65,6 = 8,49
Montijo Não (108 − 84,4)² / 84,4 = 556,96 / 84,4 = 6,60
Afons. Sim (51 − 43,8)² / 43,8 = 51,84 / 43,8 = 1,18
Afons. Não (49 − 56,3)² / 56,3 = 53,29 / 56,3 = 0,95
Rurais Sim (47 − 30,6)² / 30,6 = 268,96 / 30,6 = 8,79
Rurais Não (23 − 39,4)² / 39,4 = 268,96 / 39,4 = 6,83
χ² = 32,84
gl = (3−1) × (2−1) = 2. Como 32,84 > 5,99, rejeita-se a hipótese de independência.
Onde está a associação: as maiores contribuições vêm de Montijo-centro (8,49 + 6,60 = 15,1) e das freguesias rurais (8,79 + 6,83 = 15,6). O Afonsoeiro contribui pouco (2,1) — comporta-se praticamente como o esperado. Ou seja, o efeito é dos dois extremos.
c) Frase de relatório
"A intenção de subscrever o serviço de entrega ao domicílio varia significativamente com a freguesia de residência (χ² = 32,84; gl = 2; p < 0,001; n = 320). A intenção é de 67% nas freguesias rurais, 51% no Afonsoeiro e 28% no centro do Montijo."
d) Recomendação
Lançar o serviço primeiro nas freguesias rurais e no Afonsoeiro, não no centro. Isto inverte a intuição habitual (começar onde há mais população) e é exatamente o tipo de conclusão que justifica o custo do estudo.
Recomendação completa, no formato do relatório:
| Recomendação | Esforço | Impacto | Responsável | Prazo |
|---|---|---|---|---|
| Piloto de entrega limitado às freguesias rurais + Afonsoeiro, 2 dias/semana | Médio | Alto | Direção comercial | 60 dias |
| Não alargar ao centro na fase 1; reavaliar com dados do piloto | Baixo | Médio | Direção comercial | 120 dias |
| Estudar no piloto o valor mínimo de encomenda que torna a rota rentável | Baixo | Alto | Controlo de gestão | 90 dias |
Limitação a declarar: com n=70 nas freguesias rurais, a margem de erro desse subgrupo é de ±11 pp. A conclusão de que a procura é maior aí é sólida (a diferença face ao centro é de 39 pontos), mas o valor exato de 67% não é preciso — o intervalo é [56%; 78%].
Exercício 3 · Da média à decisão errada
Um relatório apresenta esta conclusão:
"A satisfação global com o atendimento é de 3,9 em 5, o que consideramos positivo. Recomendamos manter o atual modelo de atendimento."
Os dados por trás são:
| Grupo | n | Média |
|---|---|---|
| Clientes com mais de 3 anos | 180 | 4,6 |
| Clientes entre 1 e 3 anos | 90 | 3,8 |
| Clientes com menos de 1 ano | 110 | 3,0 |
a) Verifica se a média global de 3,9 está correta. b) Explica por que a conclusão do relatório é errada. c) Reescreve a conclusão e a recomendação.
Resposta:
a) Verificação da média ponderada
(180 × 4,6) + (90 × 3,8) + (110 × 3,0) = 828 + 342 + 330 = 1 500
1 500 ÷ 380 = 3,947 → 3,9 ✓ correto
A média está aritmeticamente certa. O problema não é o cálculo — é a leitura.
b) Por que a conclusão é errada
- A média agrega grupos com realidades opostas. 4,6 e 3,0 são dois mundos diferentes; nenhum cliente real vive a experiência "3,9".
- O gradiente é o achado, e foi ignorado. A satisfação cai monotonicamente com a antiguidade decrescente: 4,6 → 3,8 → 3,0. Isto não é ruído, é um padrão.
- A direção do problema é a pior possível. São os clientes novos que estão insatisfeitos — precisamente os que ainda não criaram hábito e que se perdem com mais facilidade. Uma satisfação de 3,0 em clientes com menos de 1 ano é um indicador avançado de perda de clientes.
- Há um enviesamento de sobrevivência. Os clientes com mais de 3 anos avaliam bem porque os insatisfeitos já saíram. A média alta desse grupo não prova qualidade — prova apenas que quem ficou gosta.
- "Manter o modelo" é a recomendação exatamente contrária à que os dados sustentam. O modelo atual funciona para quem já o conhece e falha com quem chega.
c) Conclusão e recomendação reescritas
Conclusão. A satisfação com o atendimento apresenta um gradiente acentuado por antiguidade: 4,6 (>3 anos, n=180), 3,8 (1–3 anos, n=90) e 3,0 (<1 ano, n=110). A média global de 3,9 não descreve nenhum grupo real e resulta do peso dos clientes antigos na amostra. O valor elevado deste grupo é, em parte, efeito de sobrevivência — os insatisfeitos já não são clientes. O problema concentra-se na fase inicial da relação, onde 110 clientes avaliam o atendimento em 3,0.
Recomendação prioritária. Redesenhar o acolhimento dos primeiros 90 dias: sessão inicial de apresentação do serviço, contacto proativo à 2.ª e à 6.ª semana, e ponto de contacto identificado com nome. Esforço: médio · Impacto: alto · Responsável: coordenação de atendimento · Prazo: 90 dias.
Estudo complementar necessário. As médias dizem que há um problema, não qual. Recomenda-se um bloco qualitativo de 8 a 10 entrevistas a clientes com menos de 1 ano, com foco nas primeiras interações, e a análise das razões de saída dos clientes que abandonaram no primeiro ano.
Métrica de acompanhamento. Satisfação do coorte "<1 ano" medida trimestralmente, com objetivo de 3,8 em 12 meses, e taxa de retenção ao 12.º mês.
Exercício 4 · Codificar dados qualitativos
Oito entrevistados responderam à pergunta "o que o faria comprar mais vezes na loja do bairro em vez do supermercado?":
E01: "Se soubesse os preços antes de entrar. No supermercado vejo tudo, ali tenho de perguntar e fico com vergonha." E02: "Ter mais horário. Eu chego às 19h30 e já está fechado." E03: "Sinceramente? Se aceitassem multibanco. Não ando com dinheiro." E04: "Não é o preço. É que nunca sei se têm o que procuro. Ir lá e voltar de mãos a abanar é irritante." E05: "Gosto do senhor, sempre me atendeu bem. Mas se calhar comprava mais se pudesse encomendar por WhatsApp." E06: "Acho caro. Nunca comparei bem, mas dá-me essa sensação." E07: "Se abrissem ao domingo de manhã. É quando tenho tempo." E08: "Se tivesse onde encostar o carro dois minutos. Não é para estacionar o dia, é dois minutos."
a) Atribui um código a cada excerto. b) Agrupa os códigos em categorias. c) Constrói a matriz temática com contagem. d) Formula três hipóteses para o questionário quantitativo, com a pergunta correspondente. e) Identifica o caso negativo e explica porque é importante.
Resposta:
a) e b) Codificação e categorização
| Entrev. | Excerto-chave | Código | Categoria |
|---|---|---|---|
| E01 | "saber os preços antes de entrar" | Preços não visíveis | Transparência |
| E01 | "fico com vergonha" de perguntar | Constrangimento social | Experiência |
| E02 | "chego às 19h30 e já está fechado" | Horário incompatível com trabalho | Acessibilidade |
| E03 | "se aceitassem multibanco" | Meio de pagamento | Conveniência |
| E04 | "nunca sei se têm o que procuro" | Incerteza de disponibilidade | Disponibilidade |
| E05 | "encomendar por WhatsApp" | Canal de encomenda | Conveniência |
| E06 | "acho caro, nunca comparei" | Preço percebido (não verificado) | Preço |
| E07 | "abrissem ao domingo de manhã" | Horário de fim de semana | Acessibilidade |
| E08 | "onde encostar o carro dois minutos" | Paragem curta | Acessibilidade |
c) Matriz temática (n=8 entrevistas)
| Categoria | Códigos | Entrevistas | % |
|---|---|---|---|
| Acessibilidade | Horário semanal, horário domingo, paragem curta | E02, E07, E08 | 38% |
| Conveniência | Multibanco, encomenda por WhatsApp | E03, E05 | 25% |
| Transparência | Preços não visíveis | E01 | 13% |
| Disponibilidade | Incerteza de stock | E04 | 13% |
| Preço | Preço percebido | E06 | 13% |
| Experiência | Constrangimento ao perguntar | E01 | 13% |
(as percentagens somam mais de 100% porque E01 gerou dois códigos em categorias diferentes)
Achado principal: o preço aparece uma única vez, e mesmo essa é uma perceção não verificada ("nunca comparei bem"). O bloco dominante é a acessibilidade (horário e paragem), seguido da conveniência (pagamento e encomenda). Isto contraria a explicação habitual do comerciante — "o supermercado é mais barato" — e é o resultado mais valioso do estudo qualitativo.
d) Três hipóteses e as perguntas correspondentes
| Hipótese | Pergunta de questionário | Análise prevista |
|---|---|---|
| H1: mais de 50% dos não-clientes indicam o horário como principal obstáculo | "Qual o principal motivo para não comprar mais vezes na loja do bairro? (escolha um) Horário / Preço / Falta de variedade / Pagamento / Estacionamento / Outro" | Frequências + cruzamento com situação profissional (χ²) |
| H2: a perceção de "mais caro" existe sobretudo em quem nunca comparou preços | 1) "Considera os preços da loja do bairro: muito mais caros / mais caros / semelhantes / mais baratos" e 2) "Já comparou preços dos mesmos produtos entre a loja e o supermercado? Sim / Não" | Cruzamento das duas perguntas + χ². Se a perceção de "caro" for maior em quem nunca comparou, o problema é de comunicação, não de preço |
| H3: a disponibilidade de pagamento eletrónico e de encomenda remota aumenta a intenção de compra | "Se a loja aceitasse multibanco e permitisse encomendar por WhatsApp, compraria lá: muito mais vezes / mais vezes / na mesma / menos vezes" | Frequências + cruzamento por escalão etário (para saber se o WhatsApp é relevante para todos ou só para uma faixa) |
e) O caso negativo
E05 é o caso negativo: é o único que exprime uma relação positiva com a loja ("gosto do senhor, sempre me atendeu bem") e, mesmo assim, compra pouco. Isto é importante por duas razões:
- Desmonta a hipótese fácil de que o problema é a qualidade do atendimento. Não é: o atendimento é um ativo. O problema é de acesso, não de relação.
- Aponta a alavanca de maior retorno. E05 já gosta da loja e já lá vai — remover um atrito operacional (encomenda por WhatsApp) converte relação existente em vendas, sem custo de aquisição de cliente.
Regra metodológica: um relatório qualitativo que só apresenta o padrão dominante e omite os casos que o contrariam é um relatório incompleto. Os casos negativos são frequentemente onde está a recomendação mais rentável.
Exercício 5 · Segmentar e construir a persona
Um estudo com 300 respostas a uma escola de música identificou estes dados:
| Grupo | n | Idade média | Motivo principal | Frequência | Mensalidade que aceita |
|---|---|---|---|---|---|
| A | 96 | 9 anos (aluno) / 38 (pagador) | Formação dos filhos | 1×/semana | 45 € |
| B | 72 | 16 anos | Progredir a sério, exames | 2×/semana | 70 € |
| C | 84 | 44 anos | Lazer, retomar um sonho antigo | 1×/semana | 55 € |
| D | 48 | 27 anos | Tocar em banda com amigos | 1×/semana irregular | 35 € |
a) Aplica o teste MADAR a cada segmento. b) Escolhe o(s) segmento(s)-alvo e justifica com números. c) Define a política de marketing (produto, preço, distribuição, comunicação) para o segmento escolhido. d) Constrói a persona completa desse segmento.
Resposta:
a) Teste MADAR
| A (pais) | B (adolescentes) | C (adultos lazer) | D (jovens banda) | |
|---|---|---|---|---|
| Mensurável | ✓ 32% da amostra | ✓ 24% | ✓ 28% | ✓ 16% |
| Acessível | ✓ escolas, associações de pais | ✓ escolas, redes sociais | ✓ redes, imprensa local, farmácias | ⚠ disperso, sem canal claro |
| Dimensão | ✓ 96 × 45 € × 10 meses = 43 200 €/ano | ✓ 72 × 70 € × 10 = 50 400 € | ✓ 84 × 55 € × 10 = 46 200 € | ✗ 48 × 35 € × 10 = 16 800 € (e com desistências) |
| Acionável | ✓ horário pós-escolar, audições | ✓ preparação de exames, professor especializado | ✓ turmas de adultos, horário noturno, sem exames | ⚠ o que querem é sala de ensaio, não aulas |
| Rentável/durável | ⚠ rotatividade alta (mudam de atividade) | ✓ ficam 3–5 anos | ✓ baixa desistência, pagam pontualmente | ✗ irregulares, alta desistência |
Falham o teste: D falha na dimensão e na durabilidade, e é duvidoso na acionabilidade — o que procuram (espaço de ensaio) não é o produto da escola.
b) Segmentos-alvo: B e C
| Critério | B (adolescentes) | C (adultos lazer) |
|---|---|---|
| Receita anual | 50 400 € | 46 200 € |
| Permanência | 3–5 anos | Alta (baixa desistência) |
| Horário ocupado | 17h–20h (hora de ponta) | 20h–22h e sábado de manhã (horas mortas) |
| Custo de aquisição | Médio | Baixo (boca-a-boca forte) |
A decisão-chave não é qual vale mais — é que ocupam horários diferentes. B enche as salas na hora de ponta, onde já há concorrência interna por espaço; C ocupa as horas em que a escola está vazia, gerando receita incremental sem custo de infraestrutura adicional. É por isso que C, apesar de faturar menos em bruto, tem a margem marginal mais alta.
Alvo prioritário: C (adultos lazer), com B mantido como base do negócio.
c) Política de marketing para o segmento C
| Variável | Decisão | Porquê |
|---|---|---|
| Produto | Turmas "Nunca é tarde": grupos de 4 adultos, repertório escolhido pelos alunos, sem exames nem avaliação formal, audição informal opcional 2×/ano | O motivo é lazer, não progressão certificada. A avaliação formal é o principal travão declarado |
| Preço | 55 €/mês; pacote trimestral 150 € (−9%); primeira aula experimental gratuita | Aceitam 55 €; o pagamento trimestral reduz a desistência e melhora a tesouraria |
| Distribuição | Aulas às 20h30 e sábado 10h–12h; possibilidade de faltar e repor numa turma equivalente | Ocupa as horas mortas; a reposição responde à razão nº 1 de desistência de adultos (imprevistos de trabalho e família) |
| Comunicação | Instagram e Facebook com vídeos curtos de alunos adultos reais a tocar; parceria com o cineteatro para uma audição anual; folheto em farmácias e centro de saúde; testemunhos escritos | O travão psicológico é "já não tenho idade". Só se vence vendo pessoas da mesma idade a tocar. O boca-a-boca é o canal mais forte deste segmento |
d) Persona — segmento C
Teresa Almeida, 44 anos · Técnica de contabilidade numa empresa do Parque Industrial · Vive no Montijo com o marido e dois filhos de 12 e 15 anos
| Dia típico | Sai de casa às 8h, chega às 18h30. Jantar às 19h30. A partir das 21h a casa fica calma — os filhos já não precisam dela ao lado |
| História | Teve aulas de piano dos 8 aos 11 anos e parou quando a professora se mudou. Fala nisso há anos: "um dia volto" |
| Objetivos | Ter duas horas por semana que sejam só dela; conseguir tocar duas ou três peças até ao fim do ano; provar a si própria que ainda é capaz |
| Frustrações | Sentir-se ridícula ao lado de adolescentes; ser avaliada; faltar por causa do trabalho e perder a aula paga; horários que só existem à tarde |
| Comportamento | 1×/semana, mensalidade até 55 €, paga por transferência, decide em janeiro ou em setembro (momentos de "recomeço") |
| Critérios de decisão | 1) horário depois das 20h · 2) turma de adultos · 3) poder repor faltas · 4) simpatia do professor · 5) preço |
| Canais | Facebook e Instagram ao final da noite; grupos de WhatsApp de mães da escola; confia sobretudo em quem já anda lá |
| Base de dados | Segmento C · 28% da amostra (n=84) · 5 entrevistas · 2 focus groups |
"Não quero fazer exames nem tocar em público. Quero é conseguir tocar aquela música do meu pai antes que ele deixe de a reconhecer." (E12)
Implicação direta de negócio: o preço é o quinto critério. Baixar a mensalidade não capta este segmento — criar uma turma só de adultos às 20h30, com reposição de faltas, capta. O orçamento de marketing deve ir para produzir prova social (vídeos de alunos adultos), não para desconto.
Exercício 6 · Benchmarking e posicionamento
Uma pequena editora de livros infantis, sediada no Montijo, quer definir o seu posicionamento. Recolheu esta grelha:
| Critério | Nós | Editora A (nacional) | Editora B (nacional) | Editora C (local, Setúbal) |
|---|---|---|---|---|
| Preço médio do livro | 14,90 € | 12,90 € | 9,90 € | 15,90 € |
| Nº de títulos/ano | 4 | 60 | 120 | 6 |
| Ilustração | Autoral, artista único | Variada, freelance | Banco de imagens | Autoral |
| Distribuição | 12 livrarias + online | Nacional, todas as cadeias | Hipermercados | 8 livrarias |
| Temas | Histórias da região, natureza local | Genéricos, licenças | Personagens licenciados | Regional (Sado) |
| Sessões em escolas | 30/ano | 5/ano | 0 | 12/ano |
| 4 200 | 38 000 | 91 000 | 2 100 |
a) Identifica a concorrência direta, indireta e substituta. b) Identifica as duas vantagens estruturais e as duas fraquezas estruturais. c) Escolhe dois eixos para o mapa percetual e posiciona os quatro concorrentes. d) Escreve a declaração de posicionamento completa. e) Que dado falta para validar este posicionamento?
Resposta:
a) Níveis de concorrência
| Nível | Quem | Nota |
|---|---|---|
| Direta | Editora C (local, regional, autoral, preço próximo) | O concorrente verdadeiro — mesma proposta, público sobreposto |
| Direta alargada | Editora A | Compete pelo mesmo espaço em livraria, mas com escala e preço mais baixo |
| Indireta | Editora B (licenciados, hipermercados) | Satisfaz a mesma necessidade ("um livro para o meu filho") por outra via e com preço-âncora baixo |
| Substituta | Biblioteca municipal, aplicações de histórias, YouTube infantil, livro em segunda mão, oferta de um brinquedo em vez de um livro | É aqui que está a maior parte do "não-consumo" — e o estudo esqueceu-a por completo na grelha |
| Potencial | Autores independentes em autopublicação com impressão a pedido | Barreira de entrada muito baixa nesta categoria |
A falha mais grave da grelha é não incluir a substituição. Se o pai de uma criança de 5 anos escolhe entre um livro de 14,90 € e a biblioteca (gratuita) ou uma app de subscrição (5 €/mês), a comparação de preço com as outras editoras é secundária.
b) Vantagens e fraquezas estruturais
Vantagens (difíceis de copiar): 1. Presença nas escolas — 30 sessões/ano contra 5 e 0 das nacionais. Cria relação direta com professores e pais, e é um canal de venda que a escala não consegue replicar economicamente. 2. Conteúdo local com ilustração autoral única — impossível de reproduzir por uma editora nacional, que não tem nem o conhecimento do território nem incentivo económico para 4 títulos regionais.
Fraquezas (estruturais, não corrigíveis com esforço): 1. Escala de catálogo — 4 títulos/ano contra 60 e 120. Nunca haverá presença permanente na prateleira nem economia de escala na impressão. 2. Distribuição e notoriedade digital — 12 livrarias e 4 200 seguidores contra distribuição nacional e 91 000. Competir aqui é queimar orçamento contra quem tem mais.
Conclusão estratégica: competir em preço, catálogo ou distribuição é perder. Competir em ligação ao território e experiência direta é jogar onde se é único.
c) Mapa percetual — eixos escolhidos
Os eixos têm de ser dimensões que importem a quem compra. Para pais que compram livros infantis, os dois eixos discriminantes são ligação ao território e preço:
Muito ligado ao território
↑
│
│ ● NÓS (14,90 €)
│ ● Editora C (15,90 €)
Preço baixo ←─────────────┼─────────────→ Preço alto
│
Editora B ● │
(9,90 €) │ ● Editora A (12,90 €)
↓
Genérico / sem território
Leitura: partilhamos o quadrante com a Editora C. O posicionamento por território sozinho não diferencia — há já outro ocupante, mais caro e igualmente autoral. A diferenciação tem de vir de um terceiro eixo: a experiência direta com o autor e o ilustrador nas escolas (30 sessões vs 12 da C).
d) Declaração de posicionamento
Para pais, avós e professores da Península de Setúbal que querem que as crianças leiam sobre o sítio onde vivem, a [Editora] é a editora de livros infantis que transforma o território em histórias e leva o autor e o ilustrador à sala de aula, porque publica poucos títulos por ano, todos com ilustração autoral original, e realiza mais de 30 sessões em escolas da região — ao contrário das editoras nacionais, que publicam dezenas de títulos genéricos por ano e nunca põem um autor à frente das crianças.
O eixo de posicionamento principal é o uso/ocasião combinado com origem; a prova (a "razão para acreditar") são os números verificáveis: 4 títulos/ano, ilustrador único, 30 sessões.
e) Dados que faltam para validar
- Há procura no espaço que escolhemos? Um posicionamento só vale se existir um segmento que o valorize e pague por ele. É preciso medir: que percentagem dos compradores de livros infantis da região atribui importância à temática local, e quanto está disposta a pagar a mais por isso.
- A perceção atual coincide com o desejado? O mapa apresentado é o mapa da grelha de benchmarking — construído com dados objetivos da oferta. O mapa percetual verdadeiro constrói-se com dados de perceção do consumidor (diferencial semântico ou associação de atributos), e pode ser completamente diferente. Talvez os pais nem saibam que a editora é local.
- Notoriedade espontânea e assistida da marca junto do público-alvo.
- O peso real dos substitutos — quantos pais recorrem à biblioteca ou a conteúdo digital, e com que frequência. Sem este dado, o mercado está sobrestimado.
- Valor económico da sessão em escola — quantos livros vende cada sessão, para saber se as 30 sessões são um canal de venda ou um custo de comunicação.
Exercício 7 · Do dado à recomendação
Recebeste estes resultados de um estudo a um centro de explicações:
- 71% dos pais souberam do centro por recomendação de outro pai (n=214)
- Índice de satisfação global: 4,4/5
- NPS: +41
- 34% dos pais não sabem que existe apoio a preparação para exames nacionais
- Preço percebido: 52% "adequado", 31% "caro", 13% "muito caro", 4% "barato"
- Motivo nº 1 de desistência declarado: horário incompatível (43% das desistências)
- Concorrente direto abriu há 6 meses a 300 m, com preço 15% inferior
a) Separa dados, conclusões e recomendações — três de cada. b) Constrói a tabela de recomendações priorizadas (esforço, impacto, responsável, prazo). c) Escreve o sumário executivo (máx. 200 palavras). d) Escreve a secção de limitações.
Resposta:
a) Três níveis
| Nível | Conteúdo |
|---|---|
| Dado 1 | 71% dos pais chegaram por recomendação de outro pai (n=214) |
| Dado 2 | 34% desconhecem a oferta de preparação para exames nacionais |
| Dado 3 | O horário incompatível representa 43% dos motivos de desistência declarados |
| Conclusão 1 | O crescimento do centro assenta quase inteiramente no boca-a-boca, sustentado por uma satisfação elevada (4,4/5; NPS +41). É um ativo forte mas frágil: não é controlável e é vulnerável à entrada de um concorrente que capte as mesmas conversas |
| Conclusão 2 | Existe receita não realizada dentro da base atual: um terço dos pais que já são clientes desconhece um serviço que a maioria deles precisará. Não é um problema de captação, é de comunicação interna |
| Conclusão 3 | A perda de clientes é sobretudo operacional, não de preço nem de qualidade. Com 44% a considerar o preço caro ou muito caro e um concorrente 15% mais barato a 300 m, o risco de que a próxima vaga de desistências passe a ser por preço é real — mas hoje a causa é o horário |
| Recomendação 1 | Formalizar o boca-a-boca num programa de recomendação com contrapartida para quem recomenda e para quem chega |
| Recomendação 2 | Campanha de comunicação interna da oferta de preparação para exames, dirigida à base atual |
| Recomendação 3 | Alargar a grelha horária nas faixas identificadas e criar mecanismo de reposição de sessões |
b) Tabela de recomendações priorizadas
| # | Recomendação | Esforço | Impacto | Responsável | Prazo |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Comunicar a preparação para exames à base atual (email, reunião de pais, cartaz na sala de espera, folha na primeira aula) | Baixo | Alto | Coordenação pedagógica | 30 dias |
| 2 | Programa de recomendação: 1 sessão gratuita para quem recomenda e para quem chega, com registo de origem | Baixo | Alto | Direção | 45 dias |
| 3 | Alargar horário nas faixas em falta (recolher a faixa exata junto dos 43% que desistiram) e criar reposição de sessões perdidas | Médio | Alto | Coordenação + RH | 60 dias |
| 4 | Registar sistematicamente a origem de cada novo cliente e o motivo de cada saída | Baixo | Médio | Secretaria | 30 dias |
| 5 | Estudo de preço (Van Westendorp) e comunicação do valor face ao concorrente — sem baixar preço antes de ter o dado | Médio | Médio | Direção | 90 dias |
| 6 | Monitorizar mensalmente entradas e saídas nos 6 meses seguintes à abertura do concorrente | Baixo | Alto | Direção | Contínuo |
Nota de prioridade: a recomendação 1 é a primeira porque tem esforço baixo, impacto alto e atua sobre clientes que já cá estão — é sempre mais barato vender mais a quem já confia do que captar alguém novo.
c) Sumário executivo
Sumário executivo
O estudo inquiriu 214 pais de alunos do centro entre [datas], com uma margem de erro de ±6,7 pontos percentuais para 95% de confiança.
A satisfação é elevada e o boca-a-boca é o motor do negócio. O índice global é de 4,4/5 e o NPS de +41; 71% dos clientes chegaram por recomendação de outro pai. Este é o principal ativo do centro — e a sua principal vulnerabilidade, por não ser controlável nem mensurável no formato atual.
Existe receita não realizada dentro da base atual. 34% dos pais desconhecem a oferta de preparação para exames nacionais. Trata-se de uma falha de comunicação interna com solução de custo praticamente nulo.
As desistências são operacionais, não de preço. O horário incompatível explica 43% das saídas. A perceção de preço é maioritariamente adequada (52%), mas 44% considera-o caro ou muito caro — um risco a vigiar face à abertura de um concorrente 15% mais barato a 300 metros.
Recomendações prioritárias: (1) comunicar a preparação para exames à base atual, em 30 dias; (2) formalizar um programa de recomendação; (3) alargar a grelha horária e permitir reposição de sessões. Recomenda-se não alterar preços antes de um estudo específico de elasticidade.
(≈195 palavras)
d) Limitações
Limitações do estudo
- Amostra de clientes atuais. O inquérito foi aplicado a pais de alunos inscritos. Os resultados de satisfação estão, por construção, sujeitos a enviesamento de sobrevivência: quem estava mais insatisfeito já desistiu e não foi inquirido. A satisfação real do universo de quem passou pelo centro é necessariamente inferior a 4,4/5.
- Motivos de desistência declarados retrospetivamente. Os 43% de "horário incompatível" resultam de declaração e não de registo no momento da saída. O horário é também um motivo socialmente mais confortável de invocar do que o preço ou a insatisfação com um professor. Este valor deve ser lido como limite superior.
- Ausência de dados sobre não-clientes. O estudo não permite estimar a dimensão do mercado potencial, nem a notoriedade do centro junto de quem nunca o contactou, nem a razão pela qual esses pais escolheram outra solução.
- Efeito do concorrente ainda não observável. O concorrente abriu há 6 meses; o impacto sobre as inscrições do próximo ano letivo não está refletido nestes dados.
- Perceção de preço sem quantificação de elasticidade. Sabe-se que 44% considera o preço elevado, mas não a que preço a procura cairia nem qual a faixa de preço aceitável. Nenhuma decisão de preço deve ser tomada com base neste estudo.
- Subgrupos com n reduzido. As análises por ano de escolaridade assentam em subamostras de 30 a 50 respostas, com margens de erro entre ±14 e ±18 pontos, e são apresentadas como indicativas.
Exercício 8 · Detetar as falhas de um relatório
Um colega entregou um relatório com estas passagens. Identifica o que está errado em cada uma e reescreve-a.
a) "A maioria esmagadora dos inquiridos (54,3%) prefere a nova embalagem." (n=35) b) "Como se vê no gráfico, as vendas dispararam após a campanha." (gráfico de barras com eixo Y de 980 a 1 020) c) "Existe uma forte correlação (r=0,68) entre o número de publicações no Instagram e as vendas mensais, o que demonstra que aumentar as publicações aumenta as vendas." d) "Os clientes estão satisfeitos (média 4,1) e recomendamos manter tudo como está." e) "Entrevistámos vários clientes e a opinião geral é positiva." f) "Recomendamos melhorar a comunicação digital."
Resposta:
| Erro | Versão corrigida | |
|---|---|---|
| a) | Três erros: (i) "maioria esmagadora" para 54,3%; (ii) uma casa decimal sobre n=35 (54,3% são 19 pessoas); (iii) com n=35 a margem de erro é ±16,6 pp — o intervalo [38%; 71%] cruza os 50%, logo não é possível afirmar que há maioria | "Numa amostra reduzida (n=35), 19 inquiridos preferiram a nova embalagem e 16 a atual. A margem de erro (±16,6 pp) não permite concluir que exista preferência maioritária; recomenda-se repetir o teste com amostra mínima de 200." |
| b) | Eixo Y truncado (980–1 020): uma variação de 4% parece um salto vertical. É a manipulação gráfica mais comum e é desonesta | "As vendas passaram de 1 002 para 1 018 unidades (+1,6%) no mês seguinte à campanha." Gráfico com eixo a começar em zero; se a variação for pequena, usar tabela em vez de gráfico |
| c) | Correlação apresentada como causalidade. Podem ser publicações e vendas a subirem ambas no Natal (terceira variável: sazonalidade), ou publicar-se mais quando as vendas correm bem (causalidade invertida) | "Existe uma correlação forte e positiva entre publicações mensais e vendas (r=0,68; n=24 meses). Esta associação não estabelece causalidade — ambas as variáveis apresentam sazonalidade. Para testar o efeito, recomenda-se um período de teste com frequência de publicação aumentada em metade das linhas de produto, mantendo as restantes como controlo." |
| d) | Conclusão sobre a média global, sem desagregação, e recomendação de imobilismo. Uma média de 4,1 pode esconder um segmento em 2,8 | "A satisfação global é de 4,1/5, mas apresenta variação relevante por [segmento]: [valores]. Recomenda-se ação dirigida ao grupo com menor satisfação, cuja dimensão representa X% da base e Y% da receita." Se a desagregação não foi feita, é uma limitação a declarar, não uma recomendação a emitir |
| e) | Vago e não verificável: "vários" não é um número, "opinião geral positiva" não é um achado, e não há citações nem indicação de saturação | "Foram realizadas 11 entrevistas em profundidade a clientes com mais de 6 meses de antiguidade, entre [datas], até se atingir saturação temática. Emergiram três categorias dominantes: [A] (9/11), [B] (7/11) e [C] (4/11). Ilustrativo de [A]: «[citação literal]» (E04)." |
| f) | Recomendação inacionável: não diz o que fazer, para quem, quem executa, com que esforço, até quando, nem como se mede | "Atualizar a ficha Google (horário, fotografias, resposta a avaliações) e publicar 3 conteúdos semanais dirigidos ao segmento [X]. Esforço: baixo · Impacto: médio · Responsável: [nome] · Prazo: 45 dias · Métrica: cliques em 'como chegar' e pedidos de contacto, medidos mensalmente." |
Critério transversal: cada afirmação de um relatório tem de conseguir responder a três perguntas — qual é o dado?, qual é o n?, o que é que isto faz alguém decidir?. As passagens acima falham pelo menos uma delas.