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UC UC00275 · T. Marketing/RP, T. Vendas e Marketing

Ficha 01 · Planear o estudo, escolher o método e construir os instrumentos

Do problema de gestão ao questionário testado — tipologia, objetivos, amostragem, redação de perguntas, guião de entrevista e RGPD
Versão · Aluno
Tempo · 45 minutos
Aluno(a)
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Exercício 1 · Traduzir o problema de gestão

A Livraria Aljubarrota, no centro do Montijo, existe há 22 anos. A gerência reuniu-se e saiu de lá com esta frase: "temos de decidir se transformamos metade da loja num espaço de café e leitura, ou se investimos esse dinheiro em vendas online." O investimento é de cerca de 30 000 €, e a decisão tem de estar tomada em três meses.

a) Escreve o problema de gestão numa frase. b) Escreve o problema de pesquisa correspondente. c) Formula um objetivo geral e quatro objetivos específicos mensuráveis. d) Formula três hipóteses testáveis. e) Para cada objetivo específico, aplica o teste de utilidade: "se a resposta for A faço X; se for B faço Y."

Resposta:

a) Problema de gestão: Decidir, até 30 de novembro, se os 30 000 € disponíveis são aplicados na conversão de metade da loja em espaço de café e leitura ou na criação de um canal de venda online.

b) Problema de pesquisa: Determinar qual das duas alternativas gera maior receita incremental sustentável, caracterizando (i) a procura potencial por um espaço de café e leitura no centro do Montijo, (ii) a procura potencial por compra online de livros junto da clientela atual e alargada, e (iii) a estrutura de custos e concorrência de cada alternativa.

c) Objetivos

Geral: avaliar comparativamente o potencial comercial das duas alternativas de investimento para a Livraria Aljubarrota.

Específicos: 1. Estimar o número de visitas semanais e o ticket médio de um espaço de café e leitura, junto de residentes e trabalhadores num raio de 800 m. 2. Estimar a percentagem de clientes atuais e potenciais que compraria livros online à livraria, e a frequência e valor médio dessa compra. 3. Caracterizar a oferta concorrente de cada alternativa: cafetarias com leitura num raio de 1 km, e livrarias online que servem o concelho. 4. Identificar os critérios de escolha e os obstáculos de cada público (o que faria alguém preferir este café; o que faria alguém comprar aqui em vez de nas grandes plataformas).

d) Hipóteses - H1: existe um segmento de trabalhadores do centro (25–50 anos) que utilizaria um espaço de café e leitura pelo menos 2×/semana, com ticket médio ≥ 4 €. - H2: a compra online de livros junto de uma livraria local é rejeitada por comparação de prazo e portes com as grandes plataformas — a intenção declarada é inferior a 25%. - H3: o motivo declarado de fidelidade à livraria é o aconselhamento pessoal, e não o preço nem a variedade — o que favorece a alternativa presencial.

e) Teste de utilidade

Objetivo Se A… Se B…
1 Se a procura estimada gerar ≥ 900 €/semana → avança-se com o café Se ficar abaixo de 500 €/semana → descarta-se o café
2 Se ≥ 35% comprariam online com ticket ≥ 20 € → estuda-se a loja online Se < 20% → descarta-se o online como investimento principal
3 Se existirem ≥ 3 cafetarias com o mesmo conceito no raio → repensar diferenciação Se não existir nenhuma → reforça-se o argumento do café
4 Se o critério dominante for "aconselhamento" → o investimento deve reforçar o presencial Se for "preço/prazo" → nenhuma das duas alternativas resolve; o problema é outro

Nota crítica: o objetivo 4 é o mais importante e o que costuma ser esquecido. Se o resultado for "preço e prazo", a conclusão honesta do estudo é que nenhuma das duas alternativas ataca o problema real — e é preciso ter coragem para escrever isso no relatório.

Exercício 2 · Escolher o tipo de estudo

Para cada situação, indica o tipo de estudo (exploratório, descritivo ou causal), o método principal, e justifica em duas linhas.

a) Uma associação cultural perdeu 40% dos sócios em dois anos e não faz ideia porquê. b) Um município quer saber quantos residentes usariam um passe mensal de transporte a 25 € e qual o perfil deles. c) Uma loja quer saber se colocar o produto ao nível dos olhos aumenta as vendas. d) Uma marca quer saber que palavras as pessoas usam para descrever o seu champô antes de escrever a nova embalagem. e) Uma cadeia quer medir a notoriedade da marca antes e depois de uma campanha de rádio. f) Uma escola quer saber se o novo horário de atendimento reduziu as filas.

Resposta:
Tipo Método principal Justificação
a) Exploratório 10–12 entrevistas a ex-sócios + análise da base de dados de saídas O problema é desconhecido; é preciso gerar hipóteses antes de medir. Ir a questionário já seria adivinhar as opções.
b) Descritivo Questionário a amostra representativa com quotas Já se sabe o que perguntar; o objetivo é quantificar procura e perfil, o que exige amostra e margem de erro.
c) Causal Experiência em loja: 2 semanas ao nível dos olhos vs 2 semanas na prateleira baixa, com produto de controlo Só um desenho com controlo permite atribuir a variação à posição e não à sazonalidade ou a uma promoção do concorrente.
d) Exploratório Focus groups (2–3) + análise de conteúdo das avaliações online Procura-se linguagem, não frequência. O output é o vocabulário do consumidor para alimentar a embalagem e o questionário seguinte.
e) Descritivo (pré-pós) Questionário de notoriedade espontânea e assistida, duas vagas com amostras equivalentes É medição repetida. Torna-se causal apenas se houver uma região de controlo sem a campanha.
f) Causal Comparação antes/depois com dados de contagem e um serviço de controlo que não mudou de horário Sem controlo, uma redução de filas pode ser sazonal (período de menos procura).

Erro típico a evitar: classificar (a) como descritivo e lançar imediatamente um questionário com opções inventadas pela direção. As razões reais de saída raramente estão na lista que a direção imagina.

Exercício 3 · Dimensionar a amostra

a) Uma cooperativa agrícola tem 2 400 associados. Quer inquirir com ±5% de erro e 95% de confiança. Calcula a amostra, com correção para população finita. b) A taxa de resposta esperada é de 30%. Quantos convites tem de enviar? c) Recolheram-se apenas 190 respostas válidas. Qual a margem de erro real, sabendo que a proporção de interesse ficou em 55%? d) A direção quer analisar os resultados separadamente para três regiões, com cerca de 63 respostas cada. Qual a margem de erro de cada subgrupo? Que recomendação fazes?

Resposta:

a) Dimensão da amostra

n = 1,96² × 0,5 × 0,5 / 0,05² = 3,8416 × 0,25 / 0,0025 = 384,16 → 385

Correção finita (N = 2 400):
n_aj = 385 / (1 + (385 − 1)/2400) = 385 / (1 + 0,16) = 385 / 1,16 = 331,9 → 332 respostas

b) Convites a enviar

332 ÷ 0,30 = 1 107 convites

Como a base só tem 2 400 associados, é preciso contactar 46% da base — exequível, mas obriga a lembretes e, provavelmente, a um canal telefónico para os que não respondem online.

c) Margem de erro real com n = 190 e p = 0,55

e = 1,96 × √(0,55 × 0,45 / 190)
  = 1,96 × √(0,2475 / 190)
  = 1,96 × √0,001303
  = 1,96 × 0,0361 = 0,0708 → ±7,1 pontos percentuais

O intervalo é [47,9% ; 62,1%]. Nota importante: o intervalo cruza os 50%, ou seja, com esta amostra não é possível afirmar que "a maioria tem interesse". É exatamente este o tipo de afirmação que se vê em relatórios mal feitos.

d) Subgrupos de 63 respostas

e = 1,96 × √(0,5 × 0,5 / 63) = 1,96 × 0,0630 = 0,1234 → ±12,3 pp

Uma margem de ±12 pontos torna a análise regional praticamente inútil: uma região com 48% e outra com 60% não são distinguíveis.

Recomendação: duas alternativas, e a escolha é do cliente. 1. Sobreamostrar as regiões que interessam analisar: para ±8 pp por região, são necessárias ~150 respostas por região (450 no total), o que aumenta o custo mas viabiliza o cruzamento. 2. Não analisar por região e assumir explicitamente essa limitação no relatório.

Lição: a dimensão da amostra planeia-se a pensar nos cruzamentos que se vão precisar de fazer, não apenas no total. É um erro que só se descobre na fase de análise, quando já não há remédio.

Exercício 4 · Reescrever um questionário

Um estagiário construiu este questionário para um ginásio. Identifica todos os problemas e reescreve o questionário completo, incluindo o que falta.

1. Qual a sua idade? ______
2. Não concorda que o nosso ginásio tem o melhor equipamento da zona?
   ( ) Sim  ( ) Não
3. Quantas vezes por ano faz exercício?
4. Está satisfeito com o preço e com o horário?
   ( ) Muito satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Muito insatisfeito
5. Quanto ganha por mês? ______
6. Que tipo de aulas prefere?
   ( ) Musculação ( ) Cardio
Resposta:

Problemas identificados

# Problema
Geral Não há introdução, nem finalidade, nem duração estimada, nem consentimento RGPD
Geral Não há pergunta-filtro (é sócio? já foi? nunca foi?)
Geral As perguntas sensíveis e de caracterização estão no início — reduzem a taxa de resposta
Geral Nenhuma pergunta aberta — perde-se toda a explicação dos "porquês"
1 Pergunta aberta desnecessária; devia ser em escalões para facilitar o tratamento
2 Dupla negativa + indução da resposta ("o melhor equipamento") + escala inadequada
3 Período impossível de recordar ("por ano") e ambíguo ("exercício" onde? aqui ou em qualquer sítio?)
4 Double-barrelled (preço e horário são duas coisas) + escala desequilibrada (2 opções positivas, 1 negativa, sem ponto neutro)
5 Pergunta sensível, aberta, e sem opção de não responder
6 Opções não exaustivas (faltam aulas de grupo, natação, personal training, etc.), sem "Outro", e confunde "tipo de aula" com "tipo de treino"

Questionário reescrito

Estudo de satisfação — Ginásio [nome] Este questionário faz parte de um estudo para melhorar os serviços do ginásio. Demora cerca de 5 minutos. As respostas são anónimas e tratadas apenas de forma agregada. Os dados são conservados até 31/03/2027 e depois eliminados. A participação é voluntária e pode desistir a qualquer momento. Responsável pelo tratamento: [nome, email]. Ao continuar, aceita participar.

Filtro

  1. Qual a sua situação atual? ( ) Sou sócio ( ) Fui sócio, já não sou ( ) Nunca fui sócio (→ termina)

Comportamento

  1. Nas últimas 4 semanas, quantas vezes treinou neste ginásio? ( ) 0 ( ) 1–3 ( ) 4–7 ( ) 8–12 ( ) Mais de 12

  2. Em que período costuma treinar? (escolha até 2) ( ) Antes das 9h ( ) 9h–12h ( ) 12h–14h ( ) 14h–18h ( ) 18h–21h ( ) Depois das 21h ( ) Fim de semana

  3. Que atividades utiliza regularmente? (escolha todas as que se aplicam) ( ) Musculação ( ) Cardio ( ) Aulas de grupo ( ) Personal training ( ) Piscina ( ) Outra: ______

Satisfação (escala: 1 Muito insatisfeito · 2 · 3 Neutro · 4 · 5 Muito satisfeito · NS/NR)

  1. Indique o seu grau de satisfação com: a) O preço da mensalidade 1–2–3–4–5 (NS/NR) b) O horário de funcionamento 1–2–3–4–5 (NS/NR) c) O estado do equipamento 1–2–3–4–5 (NS/NR) d) A limpeza das instalações 1–2–3–4–5 (NS/NR) e) O acompanhamento dos profissionais 1–2–3–4–5 (NS/NR) f) A lotação nas horas de ponta 1–2–3–4–5 (NS/NR)

  2. Dos itens acima, qual é o mais importante para si? (escolha um)

  3. Numa escala de 0 a 10, qual a probabilidade de recomendar este ginásio a um amigo ou colega? 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

  4. Porque deu essa pontuação? (resposta aberta)


  1. O que teríamos de mudar para o ginásio ser claramente melhor para si? (resposta aberta)

Caracterização (no fim, como deve ser)

  1. Escalão etário: ( ) 16–24 ( ) 25–34 ( ) 35–44 ( ) 45–54 ( ) 55–64 ( ) 65+
  2. Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino ( ) Outro ( ) Prefiro não responder
  3. Freguesia de residência: ______
  4. Rendimento mensal líquido do agregado: ( ) até 1 000 € ( ) 1 001–1 500 € ( ) 1 501–2 500 € ( ) mais de 2 500 € ( ) Prefiro não responder

Obrigado. Os resultados agregados estarão disponíveis na receção a partir de [data].

O que mudou de estrutural: - Ordem correta (filtro → comportamento → satisfação → NPS → abertas → caracterização). - Escalas equilibradas com ponto neutro e opção NS/NR. - Cada item de satisfação isolado, permitindo saber onde está o problema. - Pergunta 6 permite ponderar o índice de satisfação pela importância declarada. - Duas perguntas abertas que dão o material qualitativo que o original não tinha.

Exercício 5 · Guião de entrevista exploratória

A Adega Cooperativa quer perceber por que razão os residentes do concelho compram vinho no supermercado e não na loja da adega, a 6 minutos de carro. Constrói um guião de entrevista semiestruturada de 30 minutos, com as seis fases, incluindo pelo menos 12 perguntas e as técnicas de aprofundamento que vais usar.

Resposta:

Perfil a recrutar: residentes do concelho, 30–65 anos, que comprem vinho pelo menos 1×/mês e que conheçam a existência da adega mas não sejam clientes regulares. 10 entrevistas. Recrutamento por bola de neve a partir de dois contactos iniciais.

Fase 1 · Aquecimento (3 min)

"Obrigado por aceitar. Esta conversa faz parte de um estudo sobre hábitos de compra de vinho no concelho. Não há respostas certas nem erradas — o que me interessa é mesmo o que faz e o que pensa. Vou gravar apenas para não perder nada; a gravação é apagada depois da análise e o seu nome não aparece em lado nenhum. Pode interromper quando quiser. Posso gravar?"

Fase 2 · Contexto (5 min)

  1. Fale-me um pouco de si — com quem vive, o que faz.
  2. Em que ocasiões é que há vinho lá em casa?
  3. Quem é que costuma comprar o vinho? (→ identifica o papel de comprador vs decisor)

Fase 3 · Núcleo — episódios concretos (10 min)

  1. Conte-me a última vez que comprou vinho. Onde foi, o que levou, quanto gastou?
  2. Como escolheu essa garrafa? O que olhou primeiro?
  3. Tinha decidido antes de entrar ou decidiu lá?
  4. E na vez anterior a essa — foi igual ou diferente?

Técnica: perguntar sempre por episódios ("a última vez que…"), nunca por opiniões gerais ("o que acha de comprar vinho"). O episódio dá comportamento; a opinião dá teoria.

Fase 4 · Aprofundamento (7 min)

  1. Já alguma vez comprou vinho diretamente numa adega ou produtor? Conte-me como foi.
  2. Sabe que existe a adega aqui do concelho? Como soube?
  3. Alguma vez pensou em ir lá comprar? O que aconteceu?
  4. Se um amigo lhe dissesse "vamos à adega comprar vinho", qual seria a sua primeira reação?

Técnicas: silêncio de 3 segundos após cada resposta antes de passar à seguinte; eco ("...caro?") quando surgir uma palavra carregada; e nunca defender a adega quando o entrevistado a criticar.

Fase 5 · Projeção (4 min)

  1. Imagine que a adega abria ao sábado de manhã com prova gratuita. Isso mudava alguma coisa? Porquê?
  2. E se o preço fosse igual ao do supermercado — ia lá?
  3. Se tivesse de convencer um vizinho a ir à adega, o que lhe diria?

Nota: as perguntas projetivas dão direção, não medida. Nunca se escreve "70% iria" a partir de entrevistas — isso é trabalho do questionário que vem a seguir.

Fase 6 · Fecho (1 min)

  1. Há alguma coisa sobre isto que eu não lhe perguntei e devia ter perguntado?
  2. Conhece alguém com um perfil parecido que aceitasse falar comigo?

Grelha de observação a preencher no fim: hesitações, contradições entre o que disse fazer e o que descreveu, palavras exatas usadas para "adega", "vinho bom" e "caro" — este vocabulário vai diretamente para o questionário quantitativo.

Exercício 6 · RGPD na prática

Analisa cada situação, indica se está conforme o RGPD e o que corrigir.

a) Um questionário de satisfação pede nome, telemóvel e email "para eventual contacto", quando o objetivo é apenas medir satisfação média. b) No fim do questionário aparece: "☑ Aceito receber a newsletter" (caixa já marcada). c) As gravações dos focus groups ficam guardadas na conta pessoal de Drive do estagiário, indefinidamente. d) O relatório inclui: "como referiu um dos entrevistados, o Sr. Joaquim Pires, taxista no Montijo há 30 anos…" e) Um questionário sobre hábitos alimentares pergunta "sofre de alguma doença crónica?" sem qualquer justificação. f) Uma empresa liga a dizer "estamos a fazer um estudo de mercado" e no fim tenta vender um serviço.

Resposta:
Conforme? Problema Correção
a) Não Viola a minimização — recolhem-se dados identificativos sem necessidade para a finalidade declarada Tornar o questionário anónimo. Se for mesmo necessário recontactar, pedir o contacto em separado, com consentimento próprio e finalidade explícita ("para participar num focus group")
b) Não Consentimento não é inequívoco: caixa pré-marcada não vale, e mistura duas finalidades (estudo + marketing) Caixa desmarcada, separada, com texto próprio, e a participação no estudo não pode depender dela
c) Não Falha integridade/confidencialidade (conta pessoal, não institucional) e limitação da conservação (prazo indefinido) Guardar em suporte institucional com controlo de acessos; definir prazo (ex.: eliminar 6 meses após a entrega do relatório) e registar essa eliminação
d) Não Identificação direta e por cruzamento; o consentimento para gravar não é consentimento para publicar identidade Citar como "E04, taxista, 50–65 anos". Se a profissão for rara na amostra, agregar mais: "profissional do setor dos transportes"
e) Não Dados de saúde são categoria especial (art. 9.º) e exigem consentimento explícito + base legal forte Não recolher. Se for imprescindível, reformular para não-sensível: "Segue alguma restrição alimentar? (sim/não/prefiro não responder)" — sem perguntar a causa clínica
f) Não É sugging — vender a pretexto de pesquisar. Viola o Código ICC/ESOMAR e a limitação da finalidade Separar completamente as duas atividades. Um estudo de mercado nunca pode ser o veículo de uma ação comercial

Texto de consentimento correto para o topo de um questionário:

Este questionário faz parte de um estudo de mercado realizado por [entidade], para avaliar [finalidade concreta]. Demora cerca de [X] minutos. As respostas são anónimas e tratadas apenas de forma agregada; não é recolhido nome, contacto ou qualquer dado que o identifique. Os dados são conservados até [data] e depois eliminados. A participação é voluntária e pode desistir a qualquer momento. Responsável pelo tratamento: [nome/email]. Ao continuar, declara que leu esta informação e aceita participar.

Nota final: o critério prático mais útil é este — se não sabes exatamente o que vais fazer com um dado, não o recolhas. A minimização não é só uma obrigação legal; é também o que torna o questionário mais curto e a taxa de resposta mais alta.

Exercício 7 · Planear um focus group

Uma marca de conservas de peixe quer testar três conceitos de embalagem antes de decidir. Planeia os focus groups: quantos, com quem, com que estrutura, e escreve o guião de moderação de 90 minutos, indicando os materiais de estímulo e como vais evitar os dois riscos clássicos.

Resposta:

Desenho: 3 focus groups × 8 participantes.

Grupo Perfil Porquê separado
G1 Compradores frequentes de conservas (≥ 2×/mês), 30–55 anos Conhecem a categoria e as marcas — reagem a detalhe
G2 Compradores ocasionais (< 1×/mês), 25–45 anos O alvo de crescimento; a embalagem tem de os captar sem conhecimento prévio
G3 Compradores de gama alta / produto gourmet, 35–60 anos Sensibilidade a preço e a códigos visuais completamente diferentes

Princípio: homogéneo dentro do grupo, heterogéneo entre grupos. Misturar G1 com G3 faria com que o comprador de gama alta impusesse os seus códigos e calasse os restantes.

Recrutamento: ficha de triagem com frequência de compra, gasto médio e marcas compradas nos últimos 3 meses. Excluir quem trabalhe em marketing, design, distribuição alimentar ou tenha participado num focus group nos últimos 6 meses. Incentivo: cabaz de produtos no valor de 25 €.

Guião de moderação (90 min)

Tempo Fase Conteúdo
0–10 Abertura Apresentação, regras ("não há respostas erradas", "podem discordar uns dos outros", telemóveis fora da mesa), consentimento e gravação. Volta de apresentações.
10–20 Aquecimento — categoria "Quando é que há conservas lá em casa?" "Conte-me a última lata que comprou." Objetivo: entrar pelo comportamento, não pela marca.
20–35 Mapa mental da categoria Exercício com cartões: 12 embalagens reais do mercado sobre a mesa. Cada um agrupa-as como quiser e explica os seus grupos. Isto revela os eixos de perceção reais — que serão os eixos do mapa percetual.
35–60 Conceitos, um a um Cada conceito isolado (teste monádico sequencial), 8 min cada, com ordem rodada entre grupos para eliminar o efeito de ordem. Para cada um: 1) reação em uma palavra, escrita em papel antes de falar; 2) "o que é que isto lhe diz sobre o produto lá dentro?"; 3) "para quem é isto?"; 4) "quanto acha que custa?"
60–75 Comparação Os três lado a lado. Ordenação individual em papel, depois discussão. "Qual poria no cabaz de oferta? Qual poria no armário de casa? São o mesmo?"
75–85 Projeção "Se esta marca fosse uma pessoa, quem era?" "O que é que falta a esta embalagem para você a levar sem pensar?"
85–90 Fecho "O que é que não vos perguntei e devia ter perguntado?" Agradecimento e entrega do incentivo.

Materiais de estímulo - 12 embalagens reais da concorrência (para o exercício de agrupamento). - Os 3 conceitos impressos em tamanho real, montados em lata — nunca em folha A4, que altera completamente a perceção de escala e material. - Papel e caneta em cada lugar, para respostas individuais antes da discussão.

Os dois riscos clássicos e as suas mitigações

  1. O participante dominante. Mitigação: registo individual escrito antes de qualquer discussão (a opinião fica fixada sem contaminação); e intervenção direta do moderador — "vamos ouvir quem ainda não falou", ou dirigir a pergunta pelo nome ao mais silencioso.
  2. A desejabilidade social / efeito de manada. Numa mesa, ninguém quer ser o único a dizer que gosta do conceito feio. Mitigação: as reações escritas em papel antes da conversa são o dado principal; a discussão serve para explicar o porquê, não para contar votos. E o moderador nunca revela qual é o conceito favorito da marca.

Limite a declarar no relatório: focus groups não medem preferência. Se são necessários números — "qual dos três conceitos vende mais" — o passo seguinte é um teste monádico quantitativo com 200+ respostas, ou um teste real em prateleira.