Ficha 02 · Medição, diagnóstico e ensaio de carga e arranque
Exercício 1 · Escolher a ferramenta certa
Para cada medição, indica a ferramenta mais adequada: (a) saúde da bateria · (b) consumo de arranque sem cortar o fio · (c) ripple do alternador · (d) alvo de tensão num alternador inteligente.
Resposta:
- (a) → tester de bateria (CCA/SoH).
- (b) → pinça amperimétrica DC.
- (c) → osciloscópio (ou função AC do multímetro).
- (d) → scanner/EOBD (live data do IBS/gestão de carga).
Exercício 2 · Queda de tensão — porquê com carga?
Explica porque é que a queda de tensão se mede com o circuito a funcionar e não a continuidade "em vazio".
Resposta:
Pela Lei de Ohm, U = R × I: uma resistência parasita pequena só produz uma queda de tensão visível quando passa corrente (I). Em vazio (I ≈ 0), essa resistência quase não se nota e a continuidade dá "ok" — mas ao arranque, com corrente alta, a queda torna-se grande. Por isso mede-se com carga.
Exercício 3 · Valores de referência
Preenche os valores de referência típicos (12 V, ~20 °C):
| Ensaio | Referência |
|---|---|
| Tensão de carga (clássico) | ____ |
| Tensão no arranque | ____ |
| Queda no positivo | ____ |
| Queda na massa | ____ |
| Fuga parasita | ____ |
Resposta:
| Ensaio | Referência |
|---|---|
| Tensão de carga (clássico) | 13,8 – 14,8 V |
| Tensão no arranque | ≥ 9,6 V |
| Queda no positivo | < 0,5 V |
| Queda na massa | < 0,2 V |
| Fuga parasita | < 30 – 50 mA |
Exercício 4 · Interpretar um ripple alto
Na saída do alternador (função AC) lês 0,8 V AC, com o motor a trabalhar. Que componente suspeitas e porquê?
Resposta:
Suspeita de díodo(s) da ponte retificadora em falha (aberto ou em curto). Um díodo mau deixa passar ondulação AC para o sistema (ripple), em vez de a converter totalmente em DC. 0,8 V AC é muito acima do normal (< ~0,1 V) → provável subcarga e bateria a descarregar. Confirmar no osciloscópio a forma de onda.
Exercício 5 · "Faz clique mas não pega" (caso)
Bateria: repouso 12,6 V, prova de carga boa. Ao tentar arrancar, a tensão nos bornes quase não baixa (12,3 V) e o motor não gira. A queda de tensão na massa do motor durante a tentativa é 1,3 V. Diagnostica e propõe reparação.
Resposta:
A bateria está boa e o motor de arranque quase não puxa corrente (tensão não colapsa). A queda na massa de 1,3 V (devia ser < 0,2 V) mostra uma massa do motor com alta resistência (oxidada/solta): a corrente não chega ao motor de arranque.
Reparação: limpar até ao metal e apertar a massa (binário correto); reconfirmar a queda < 0,2 V e o arranque normal. Não trocar o motor de arranque nem a bateria.
Exercício 6 · Descarga durante a noite (caso)
O cliente diz que a bateria "amanhece morta". Bateria e carga estão ok. Descreve o procedimento para encontrar a causa e o valor-limite que usas.
Resposta:
Medir a fuga/consumo parasita: com o carro trancado e adormecido (≥ 30–40 min), medir a corrente com pinça mA (ou multímetro em série). Limite: < 30–50 mA.
Se estiver alta (ex.: 340 mA), retirar fusíveis um a um; quando a corrente cai, o fusível removido identifica o circuito/módulo que não adormece. Reparar/atualizar esse módulo. Sem esta medição, trocar-se-ia a bateria em vão.
Exercício 7 · Alternador inteligente
Num carro com start-stop, com o motor a trabalhar, lês 12,7 V aos bornes. Podes concluir que o alternador está avariado? Justifica e diz o que farias.
Resposta:
Não. Num alternador inteligente, a UCE pode aliviar a carga de propósito (ex.: em aceleração), pelo que 12,7 V pode ser normal. Só a tensão nos bornes não decide.
O que fazer: ler o live data (alvo de tensão pedido, corrente do IBS), ver se o alternador segue o alvo (deve subir a carga em travagem/desaceleração) e verificar se há DTC de carga/IBS/comunicação. Só se não seguir o alvo ou houver DTC é que há falha.
Exercício 8 · Segurança ao desligar a bateria
Indica a ordem correta para desligar e voltar a ligar a bateria e explica porquê.
Resposta:
- Desligar: primeiro o negativo (−), depois o positivo.
- Ligar: primeiro o positivo (+), o negativo por último.
Porquê: com o negativo já ligado à massa, tocar no positivo com a ferramenta poderia dar curto-circuito à carroçaria (arco/faísca). Desligando o negativo primeiro, a carroçaria fica "sem massa" e o risco de curto desaparece. A bateria liberta hidrogénio — evitar qualquer faísca.