Ficha 01 · Constituição e diagnóstico do sistema de travagem
Exercício 1 · O caminho da força
Descreve, por ordem, o percurso da força de travagem desde o pé do condutor até à pastilha. Nomeia as peças por onde passa.
Resposta:
- Pedal — o condutor aplica o esforço.
- Servofreio — amplia esse esforço com a depressão do motor.
- Cilindro-mestre — converte o esforço em pressão hidráulica.
- Tubagens e mangueiras — o líquido (incompressível) transmite a pressão.
- Pinça/cilindro de roda — o pistão empurra a pastilha/calço contra o disco/tambor → atrito → travagem.
Exercício 2 · Por que é duplo o circuito?
Explica porque é que os automóveis têm um circuito de travagem duplo e o que acontece se um dos circuitos tiver uma fuga.
Resposta:
Por segurança/redundância. Se um circuito falha (fuga), o outro mantém travagem, embora com pedal mais longo e menos eficácia. Na configuração diagonal (X), cada circuito liga uma roda dianteira à traseira oposta, mantendo travagem equilibrada mesmo com um circuito em falha.
Exercício 3 · Disco vs tambor
Preenche a tabela comparando os dois tipos de travão.
| Aspeto | Disco | Tambor |
|---|---|---|
| Dissipação de calor | ||
| Onde se usa mais | ||
| Custo | ||
| Travão de mão |
Resposta:
| Aspeto | Disco | Tambor |
|---|---|---|
| Dissipação de calor | Boa (ventilado) | Pior (fechado) |
| Onde se usa mais | Eixo dianteiro (e traseiro) | Eixo traseiro de económicos/comerciais |
| Custo | Maior | Menor |
| Travão de mão | Mecanismo na pinça / EPB | Integra-se bem (cabo/calços) |
Exercício 4 · O líquido dos travões
O líquido dos travões é higroscópico. Explica o que isso significa e por que é perigoso. Indica de quanto em quanto tempo se deve substituir.
Resposta:
Higroscópico = absorve humidade do ar ao longo do tempo. A água baixa o ponto de ebulição: numa travagem forte forma-se vapor (compressível) → pedal esponjoso e perda de travagem (vapor lock). A humidade também corrói o sistema por dentro. Deve substituir-se a cada ~2 anos (ou conforme o fabricante).
Exercício 5 · Ler sintomas
Para cada sintoma, indica uma causa provável.
a) Pedal esponjoso. b) Vibração no volante ao travar. c) O carro puxa para um lado ao travar. d) Apito agudo ao travar.
Resposta:
a) Ar no circuito (ou líquido velho / fuga). b) Disco empenado (empeno/runout acima do limite). c) Pinça gripada de um lado (ou mangueira colapsada). d) Indicador de desgaste das pastilhas — pastilhas no fim.
Exercício 6 · Teste do servofreio
Descreve o teste simples para verificar se o servofreio está a funcionar, sem ferramentas.
Resposta:
Com o motor desligado, carregar o pedal 4–5 vezes (esgota a reserva de vácuo); manter o pé no pedal e ligar o motor. O pedal deve ceder/descer ligeiramente — sinal de que o servo criou vácuo e está a assistir. Se não descer, há problema no servo ou na válvula de retenção.
Exercício 7 · Desequilíbrio no banco de rolos
No eixo dianteiro, o banco mede 2 200 N à esquerda e 1 400 N à direita. Calcula o desequilíbrio em %. Considerando um limite de ~30%, o veículo aprova?
Resposta:
Desequilíbrio = (2200 − 1400) / 2200 = 800 / 2200 = ≈ 36%. Como 36% > 30%, o veículo não aprova. Investigar a roda mais fraca (pinça gripada, mangueira colapsada, pastilha contaminada).
Exercício 8 · EPB
Um colega vai trocar as pastilhas traseiras de um carro com travão de estacionamento elétrico (EPB) e pergunta se pode recolher o pistão com a ferramenta habitual. O que respondes e porquê?
Resposta:
Não. Num EPB, o pistão é atuado por um motor elétrico. Recolhê-lo à força danifica esse motor. É preciso colocar o sistema em modo de manutenção/serviço com a máquina de diagnóstico, recolher o pistão, trocar as pastilhas e recalibrar o EPB.