Suporte básico de vida: o que mudou no manual do INEM de 2026
Quem dá aulas de primeiros socorros num curso profissional aprendeu, quase de certeza, uma sequência de suporte básico de vida (SBV) que já não é a que o INEM ensina. O Manual de SBV-DAE do INEM tem uma versão 2.0, de março de 2026, que segue as recomendações mais recentes do Conselho Europeu de Ressuscitação. Mudou a ordem de alguns passos, mudou o momento em que se liga 112 e mudou a técnica de compressões no bebé.
O problema é que os materiais de aula não se atualizam sozinhos. Slides feitos há três anos, fichas herdadas de um colega e apontamentos de formações antigas continuam a circular com a sequência anterior. Este artigo resume o que mudou e deixa uma lista para conferir os seus materiais.
Este texto é um resumo para professores e formadores. Não substitui o manual nem um curso certificado de SBV. Em caso de dúvida, vale sempre o que está no manual do INEM.
O que mudou na sequência do adulto
A mudança que mais se nota é o momento da chamada. Durante anos ensinou-se a avaliar primeiro a respiração e só depois pedir ajuda. O manual em vigor inverte a ordem:
- Garantir a segurança do local, para o socorrista, a vítima e terceiros.
- Avaliar a resposta: abanar os ombros com cuidado e chamar pela vítima.
- Se não reage, ligar 112 de imediato, com o telefone em alta voz, junto da vítima.
- Enquanto a chamada não é atendida, verificar se respira: ver, ouvir e sentir, durante 10 segundos.
- Se não respira normalmente, iniciar compressões: 30 compressões para 2 insuflações, a um ritmo de 100 a 120 por minuto, com 5 a 6 cm de profundidade, e usar o DAE logo que chegue.
O telefone em alta voz muda tudo: o técnico do CODU ajuda a reconhecer a paragem e acompanha as manobras, sem que o socorrista tenha de largar a vítima. Havendo duas pessoas, uma liga 112 e trata de ir buscar o DAE, a outra avalia a vítima.
Dois pormenores que convém ter nos slides:
- A respiração agónica (arquejos lentos, ruidosos ou irregulares) não é respiração normal. Trata-se como paragem.
- A cadeia de sobrevivência tem quatro elos: reconhecimento precoce e pedido de ajuda; início precoce de SBV e desfibrilhação; cuidados avançados pós-reanimação; sobrevivência e recuperação. É nos dois primeiros que qualquer pessoa pode agir.
O que dizer ao 112
O manual fixa a ordem da informação: Onde? O quê? Quem? Como? Primeiro o local, depois o que aconteceu e quando, quantas vítimas são e em que estado estão. E uma regra que os alunos esquecem: só se desliga quando o operador disser.
O que mudou no SBV pediátrico
O Manual de SBV Pediátrico também tem versão 2.0, de março de 2026, e é aqui que estão as diferenças maiores face ao que muita gente aprendeu:
- 112 logo que a criança não reage, em alta voz, tal como no adulto. A regra de fazer um minuto de SBV antes de pedir ajuda só se aplica a quem está sozinho e sem telemóvel ou sem rede.
- 5 insuflações iniciais antes das compressões, e depois ciclos de 15 compressões para 2 insuflações.
- Bebé com menos de um ano: compressões com a técnica do abraço. As duas mãos envolvem o tórax e os polegares comprimem a metade inferior do esterno. A técnica dos dois dedos, que muita gente aprendeu, não é a que o manual ensina.
- Criança com mais de um ano: compressões com uma mão sobre o tórax.
Posição lateral de segurança e engasgamento
Dois pontos em que os materiais antigos costumam ser demasiado simples:
- A posição lateral de segurança é para a vítima inconsciente que respira normalmente e não tem trauma nem suspeita de trauma. Numa queda, num acidente de bicicleta ou num atropelamento, a vítima que respira não se mobiliza, a não ser que o local não seja seguro ou não seja possível manter a via aérea permeável.
- No engasgamento, quem tosse com eficácia é encorajado a tossir. Na obstrução grave aplicam-se até 5 pancadas entre as omoplatas e, se não resultar, até 5 compressões abdominais, alternando. Em grávidas e pessoas obesas, as compressões abdominais dão lugar a compressões torácicas. E quem foi submetido a compressões abdominais deve ser sempre observado por um médico, mesmo que pareça bem.
Lista para conferir os seus materiais
Abra os slides e as fichas que usa e procure estes sinais de que foram feitos pelo manual anterior:
- O 112 aparece depois de avaliar a respiração.
- Não há referência ao telefone em alta voz.
- No bebé, as compressões são feitas com dois dedos.
- Na criança, manda-se fazer um minuto de SBV antes de ligar 112, sem a condição de estar sozinho e sem telemóvel.
- A posição lateral de segurança é aplicada a uma vítima que caiu, ou só é excluída em caso de "trauma grave".
- O engasgamento resolve-se e o exercício termina, sem observação médica.
- A chamada 112 começa por "o que aconteceu" e não por "onde".
Se encontrar um destes pontos, o material precisa de revisão.
O que fizemos na Aulify
Cada unidade da Aulify parte do referencial oficial e passa por uma revisão factual da matéria e da legislação, feita contra as fontes originais. Nos primeiros socorros, a fonte são os dois manuais do INEM em vigor.
Essa revisão encontrou a sequência antiga em várias das nossas unidades. Corrigimo-la em todas: fomos a cada unidade em que se ensina o que fazer perante uma vítima que não reage e alinhámos os slides, a sebenta, as fichas com soluções e o projeto, para que as cinco peças digam o mesmo. À data deste artigo são 38 unidades, todas grátis e prontas a usar.
Unidades em que a emergência é a matéria central:
- Atuar em situações de emergência em hotelaria e restauração
- Atuar em situações de emergência no setor da saúde
- Atuar em situações de emergência em programas de animação turística
- Atuar em situações de emergência em trabalho com máquinas e equipamentos florestais
- Atuar em situações de emergência médica e trauma em contexto militar
- Atuar no caso de emergência a bordo
- Segurança pessoal e coletiva, primeiros socorros e combate a incêndios a bordo
- Segurança e prevenção de acidentes com crianças e jovens, com o SBV pediátrico
Segurança e saúde no trabalho, por setor: hotelaria e restauração, construção, comércio e serviços, saúde, indústria, oficinas, metalurgia e metalomecânica, instalações elétricas, madeiras e mobiliário, agricultura, jardinagem, máquinas florestais, proteção civil, marketing e publicidade, arqueologia, calcetaria, vidro, cerâmica e artes do metal.
As restantes são unidades em que o socorro aparece dentro de outra matéria, como o apoio a crianças na alimentação e no descanso, as patologias do corpo humano nos cursos de saúde ou a adaptação ao meio aquático.
Nas unidades de bordo e de contexto militar, o canal de alerta é o do próprio contexto (alarme e cadeia de comando quando o 112 não chega), mas a ordem é a mesma: pede-se ajuda logo que a vítima não reage.
Se encontrar um erro num material nosso, diga-nos: corrigimos e voltamos a publicar.
Perguntas frequentes
Qual é a versão em vigor do manual de SBV do INEM?
A versão 2.0, de março de 2026, tanto do Manual de SBV-DAE (adulto) como do Manual de SBV Pediátrico.
Liga-se 112 antes ou depois de ver se a vítima respira?
Antes. Se a vítima não reage, liga-se 112 de imediato, com o telefone em alta voz, e verifica-se a respiração enquanto a chamada não é atendida.
No bebé, as compressões fazem-se com dois dedos?
O manual de SBV Pediátrico em vigor ensina a técnica do abraço: as duas mãos envolvem o tórax do bebé e os polegares fazem as compressões.
Um professor pode ensinar SBV sem ser formador certificado?
Pode explicar a sequência e treinar o reconhecimento da paragem e a chamada 112, que fazem parte de vários referenciais. Isso não substitui um curso certificado de SBV, com prática em manequim, dado por uma entidade formadora acreditada. O ideal é combinar as duas coisas.
Slides, sebentas, fichas com soluções, projetos e critérios de avaliação, por curso e por unidade, em português.
Explorar os recursos →